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Ucrânia: Antiga porta-voz de Zelensky acusada de "alta traição"

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 2 min de leitura
Ucrânia: Antiga porta-voz de Zelensky acusada de "alta traição"

A antiga porta-voz do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Iulia Mendel, que nos últimos anos se tornou uma das principais vozes críticas da sua política, foi acusada de "alta traição", anunciou hoje o Ministério Público ucraniano.

 

Mendel foi porta-voz de Zelensky entre 2019 e 2021, nos seus primeiros anos no poder.

Desde a invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022, ela multiplicou as críticas públicas ao antigo chefe, acusando-o, entre outras coisas, de corrupção e deriva autoritária.

"Os procuradores (…) reuniram provas suficientes para notificar a ex-assessora de imprensa do Presidente ucraniano de que é suspeita de alta traição e de ter justificado a agressão armada da Rússia à Ucrânia", indicou o Ministério Público na plataforma digital Telegram.

A entidade acusa-a de ter "aproveitado a sua notoriedade pública e a sua experiência (…) para difundir discursos favoráveis ao Estado agressor, com o objetivo de desacreditar a Ucrânia".

Os investigadores imputam a Mendel ter afirmado que "não há liberdade de expressão" na Ucrânia e que o país está em "vias de extinção".

Responsabilizam-na também por ter referido aqueles que "enriquecem graças à continuação da guerra", o "clientelismo político" e a "perseguição a dissidentes" na Ucrânia.

Segundo o Ministério Público ucraniano, tais declarações constituem "narrativas vantajosas para a Rússia", que "reforçam o desencanto e desmoralizam a sociedade" ucraniana.

Iulia Mendel rejeitou as acusações numa mensagem publicada no Telegram, argumentando que a formulação da acusação "prova que [ela] tem razão".

"Este é o preço da liberdade de expressão e da vontade de salvar a Ucrânia sob o regime de Zelensky", sustentou.

Volodymyr Zelensky tinha já imposto, em setembro, sanções a Iulia Mendel, que reside no estrangeiro.

A mulher, de 40 anos, costumava elogiar Zelensky, mas afastou-se dele nos últimos anos, acusando-o de ser "o principal beneficiário da guerra" e "um dos principais obstáculos à paz".

Embora condene a Rússia pela sua invasão e pelos seus ataques ao país, Mendel defende um acordo rápido com Moscovo, por considerar que a continuação da guerra ameaça a própria sobrevivência da Ucrânia enquanto Estado.

Leia Também: Zelensky alerta para cenário sem EUA como garantes da segurança global

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