Ucrânia: Kyiv vai tomar medidas para "missão humanitária" em Oleshky
O exército da Ucrânia informou hoje que vai tomar medidas para garantir a realização de uma missão humanitária em Oleshky, cidade ucraniana ocupada por Moscovo, onde o Kremlin e a primeira-dama norte-americana anunciaram uma trégua.
"As forças de defesa da Ucrânia assegurarão a execução da decisão do comandante-chefe supremo (o Presidente Volodymyr Zelensky) para que seja realizada uma missão humanitária em Oleshky. As ordens pertinentes serão transmitidas às tropas", declarou o Estado-Maior ucraniano numa mensagem no Telegram, sem mencionar diretamente um cessar-fogo.
A Rússia e a Ucrânia confirmaram hoje os preparativos para um cessar-fogo localizado na cidade ucraniana de Oleshky, ocupada pelas forças russas, permitindo a entrada de ajuda humanitária.
O entendimento, mediado e anunciado pela primeira-dama norte-americana, Melania Trump, deverá entrar em vigor em 27 de outubro, embora Moscovo tenha esclarecido que os militares ainda estão a acertar os detalhes da operação.
"Os militares estão a trabalhar para acordar os prazos de um cessar-fogo naquela zona, com o objetivo de garantir esta missão humanitária", afirmou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, citado pelas agências russas.
Peskov acrescentou que todos os residentes que pretendam abandonar Oleshky poderão fazê-lo, estimando que a operação de retirada da população demore, pelo menos, vários dias.
Segundo Valeri Gerasimov, chefe de Estado-Maior russo, citado pelas agências russas, as forças de Moscovo suspenderão as operações militares na região de Oleshky, no sul da Ucrânia, "a partir das 04:00, hora de Moscovo (01:00 GMT), de 27 de outubro de 2026".
"Para garantir a segurança da população e a entrega de bens essenciais, será realizado um reconhecimento técnico e assegurada a passagem segura do comboio humanitário até à localidade de Oleshky", acrescentou Geramisov.
O anúncio antecipa em dois dias a data inicialmente indicada pela Casa Branca, que tinha anunciado o início da trégua para 29 de outubro, na sequência de negociações mediadas pela primeira-dama norte-americana, Melania Trump.
O Kremlin agradeceu expressamente a intervenção de Melania Trump nas negociações.
Também a Ucrânia confirmou que estão prestes a começar os preparativos para a operação humanitária.
David Arakhamia, líder do grupo parlamentar do partido governamental e membro da delegação ucraniana nas negociações de paz afirmou que o objetivo é estabelecer corredores humanitários permanentes que permitam retirar civis em segurança e garantir o fornecimento de ajuda à população.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou numa entrevista à India Today, hoje divulgada, que "ambas as partes terão de fazer concessões" para pôr fim ao conflito e que a guerra não será resolvida por meios militares, apenas por via diplomática.
"As pessoas chamam-lhe guerra na Ucrânia, mas trata-se do Donbass (leste). Trata-se de uma região do país. No fundo, refere-se a 11% de uma parte desse país que a Rússia deseja, mas não consegue tomar militarmente, e que a Ucrânia não está disposta a ceder", declarou esta sexta-feira.
Rubio observou que a Ucrânia tem "boas razões" para não querer ceder o Donbass — composto pelas províncias de Donetsk e Lugansk —, citando questões de soberania e segurança a longo prazo.
Rubio e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, discutiram na quinta-feira os esforços para alcançar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, após o Presidente russo, Vladimir Putin, ter declarado estar pronto para retomar negociações tripartidas com Ucrânia e Estados Unidos.
"O objetivo destas discussões será tratar a questão das garantias de segurança, tanto para a Ucrânia como para a Rússia (...) no âmbito de um acordo final, e não após uma espécie de breve pausa nos combates", disse Putin a um jornalista da televisão estatal.
O Presidente russo rejeitou categoricamente a última proposta apresentada pelo seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, para "congelar" a atual linha da frente no leste do país - o Donbass, que compreende as regiões de Donetsk e Lugansk - em troca do início de negociações diretas.
Putin refutou ainda a visão de Zelensky sobre a integridade territorial da Ucrânia, argumentando que toda a região oriental é "território russo", invocando referendos sobre a independência realizados nas partes das duas províncias ucranianas sob ocupação russa.
Os referendos não foram reconhecidos internacionalmente como legítimos, à exceção de alguns aliados de Moscovo. Depois dos não reconhecidos referendos, as duas províncias foram incorporadas na Federação Russa.
Zelensky, defendeu que o país não pode abdicar das cidades de Sloviansk e Kramatorsk, em Donetsk, porque se o fizesse, abriria caminho à Rússia chegar à província de Dnipro.
Na região oriental do Donbass, Lugansk já está sob controlo russo desde julho de 2022, apenas meses depois do início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro do mesmo ano.
Atualmente, a Rússia controla entre 75% e 85% de Donetsk, mas não as cidades de Kramatorsk e Sloviansk — zonas de grande importância simbólica e estratégica, que albergam um extenso polo industrial, do qual depende a economia local, e uma rede ferroviária e rodoviária vital para a ligação às províncias de Kharkiv e Dnipro.
A linha da frente estende-se por cerca de 1.000 quilómetros, e as forças russas controlam aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e as zonas do Donbass.
Cessar-fogo em Oleshky mediado por Melania: Detalhes (e o que se disse)A Casa Branca anunciou que a primeira-dama norte-americana, Melania Trump, negociou um cessar-fogo localizado entre a Rússia e a Ucrânia, que entrará em vigor na cidade de Oleshky. O acordo visa permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de civis da cidade, que enfrenta uma grave crise.
Notícias ao Minuto com Lusa | 19:11 - 23/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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