Venezuela. Jornalista agredida durante manifestação opositora
O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) da Venezuela denunciou hoje que um jornalista foi agredido verbalmente e ameaçado com golpes quando fazia a cobertura da manifestação da oposição realizada na quinta-feira, em Caracas.
"O jornalista Reynaldo Mozo, do [portal] Efecto Cocuyo, foi agredido pelo político da oposição Richard Blanco (filho), que o acusou de ser um infiltrado [do chavismo] durante a marcha (…) e fez com que o retirassem à força do palco onde os líderes políticos estavam a discursar", denuncia o SNTP num comunicado distribuído em Caracas.
No documento, o SNTP explica que "apesar de outros jornalistas terem tentado defender Mozo e terem classificado o incidente como um ato hostil, outras pessoas que acompanhavam os líderes [opositores] também se juntaram aos ataques contra o repórter".
"Desde o SNTP, condenamos este tipo de atos que promovem agressões e hostilidade contra a imprensa", sublinha.
O político opositor Richard Blanco (filho) já reagiu à denúncia e, através das redes sociais, respondeu ao SNTP e ao jornalista que "não é justo julgar ou atacar sem antes ter ouvido as partes".
"Sei que as minhas palavras e a minha postura te causaram desconforto. Apresento-te as minhas desculpas públicas e sinceras por essa confusão. Tal como te pedi desculpa pessoalmente no final do evento na Plaza Venezuela", escreveu na sua conta do X.
Por outro lado, o Comité de Direitos Humanos do partido Vente Venezuela (VV), da líder da oposição, Maria Corina Machado, anunciou hoje que já foram libertadas as sete pessoas que tinham sido detidas por colaborar com a manifestação da oposição realizada na quinta-feira, em Caracas.
"As pessoas que foram detidas arbitrariamente no final da manifestação pacífica deste 22 de outubro foram posteriormente libertadas, juntamente com os veículos", explica o VV no X.
Na mesma rede social, o VV precisa que, "no entanto, foram-lhes confiscados os equipamentos [de som] que utilizaram durante a manifestação".
"Prestar um serviço e cumprir as suas funções não é um crime. Continuaremos a denunciar esta situação até que os seus pertences sejam devolvidos e ninguém mais seja detido por fazer o seu trabalho e expressar-se livremente", conclui.
Centenas de venezuelanos saíram quinta-feira à rua em várias cidades da Venezuela para exigir a libertação dos presos políticos e a marcação de eleições presenciais.
Em Caracas, a oposição tinha convocado a concentração para a Torre Polar de Plaza Venezuela, mas uma contramarcha promovida pelo ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, no âmbito do "mês rosa" de prevenção do cancro da mama, obrigou a oposição a concentrar-se na Praça do Reitorado da Universidade Central da Venezuela e a marchar até à ponte que liga a instituição à Plaza Venezuela.
A alteração do local teve como objetivo evitar confrontos ou incidentes com os participantes da outra mobilização, explicaram manifestantes à Lusa.
No local, concentraram-se exibindo cartazes com mensagens como "Deixem entrar a Maria Corina", "Ela é a líder da Venezuela", "Líder legítima", "Caracas, pulso social", "Vamos contigo" e "Liberdade para todos os presos políticos".
Horas depois, o VV denunciou a detenção de sete pessoas que estavam encarregadas dos camiões de som utilizados na manifestação da oposição.
"Alertamos a comunidade internacional para este ataque contra venezuelanos que prestaram os seus serviços para a manifestação pacífica deste 22 de outubro", afirma o VV num comunicado.
Dados do Foro Penal indicam que, a 5 de outubro, havia 322 pessoas detidas por motivos políticos na Venezuela, das quais 182 são civis e 140 militares. Do total de detidos, 31 são estrangeiros, 308 são homens e 14 são mulheres.
Desde 2014, o Foro Penal documentou 19.253 detenções por razões políticas no país.
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