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Viana do Castelo promove sessão sobre gás radão para apresentar soluções

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Viana do Castelo promove sessão sobre gás radão para apresentar soluções

O Auditório Professor Lima de Carvalho, em Viana do Castelo, recebe quarta-feira uma sessão técnica sobre o gás radioativo radão, mais prevalecente no Norte e Centro do país, para falar dele sem assustar e apresentar "soluções".

 

"O objetivo é fazer uma divulgação, sem qualquer tipo de mitificação do problema, numa sessão técnica esclarecedora, orientada, devidamente focada nas soluções, sobre o gás radão e a problemática do radão nos edifícios", explica à Lusa o pró-reitor para a Sustentabilidade e Património da Universidade Politécnica de Viana do Castelo, António Curado.

Segundo o especialista no tema, o radão é um gás "radioativo, de origem natural, que resulta da decomposição dos solos de natureza granítica, por isso muito predominante na região Norte e Centro de Portugal".

"É incolor, inodoro, insípido, e, ao emanar do solo e formações rochosas, acumula-se nos edifícios. Infiltra-se por fissuras, pavimentos, juntas construtivas, porosidade dos materiais e acumula-se em espaços fechados, como caves, pisos térreos, locais de trabalho mal ventilados", acrescenta.

Este gás é, de resto, a segunda principal causa de cancro no pulmão, segundo a Organização Mundial de Saúde, e em Portugal, no Norte e Centro, há "maior suscetibilidade", por razões geológicas.

Habitualmente concentrados em edifícios menos ventilados, este fator ganhou relevância adicional uma vez que "ultimamente houve investimentos fortes na área da eficiência energética, que tornam os edifícios mais estanques, portanto menos ventilados".

O limite legal é de 300 becquerel (unidade de medida da radioatividade) por metro cúbico e, na sessão promovida em Viana do Castelo, na quarta-feira, serão distribuídos, pelas 17:00, medidores de forma gratuita pela população interessada.

O objetivo deste momento é mesmo "alertar para a problemática, propor soluções do lado da mitigação, remediação do problema", não só de forma drástica, intervindo no edificado, mas também com "medidas passivas, adoção de práticas de ventilação natural, como arejar os espaços de acordo com o protocolo".

"Vamos não só diagnosticar o problema como responder a dúvidas sobre como se pode monitorizar com rigor, e propor soluções mitigadoras", sem assustar, explica o professor universitário.

A tendência "europeia e nacional para melhorar a qualidade energética dos edifícios e combater a pobreza energética" é, no combate ao impacto deste gás, "um desafio".

"A questão é hoje mais aguda do que era há 10 anos. Se há 20, 30, 40, 50 anos vivíamos em casas mal isoladas, muito ventiladas, com muitas perdas, janelas de madeira cheias de frinchas e lareiras de chama aberta, hoje vivemos maioritariamente em casas com boas janelas, atentamos nas questões da ventilação desnecessária. Portanto, no fundo, o que fazemos, é degradar, de alguma forma, a qualidade do ar interior, por défice de ventilação. Essa questão do gás radão e de outros gases contaminantes tem hoje um peso que não tinha há 50 anos, por exemplo", remata.

A sessão técnica está marcada para quarta-feira, a partir das 13:30, com participação gratuita, e inclui especialistas também da Agência Portuguesa do Ambiente e da Unidade Local de Saúde do Alto Minho.

Entre os destaques está a distribuição de detetores passivos deste gás, a apresentação dos resultados do projeto de monitorização na ULS do Alto Minho e apresentação de soluções de mitigação e monitorização, seja passiva seja com intervenções de construção civil nos edifícios.

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