Xanana: Tradição e cultura não justificam violência contra mulheres
O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou hoje que não existe qualquer tradição ou cultura que justifique a violência contra as mulheres, que continuam a enfrentar obstáculos no acesso à educação, saúde, à terra, ao crédito e às oportunidades económicas.
"A violência doméstica e a violência baseada no género continuam a ameaçar a segurança e a dignidade das mulheres e das raparigas", disse Xanana Gusmão.
"Por isso, se a luta pela independência foi a luta para governarmos o nosso próprio destino, a luta pela igualdade é a luta para que todos os cidadãos tenham acesso às mesmas oportunidades e à mesma dignidade", salientou o chefe do executivo timorense.
Xanana Gusmão falava no Centro de Convenções de Díli, onde hoje decorreu a celebração do 50.º Dia Nacional da Mulher de Timor-Leste, que se comemora em 3 de novembro e assinala a morte em combate de Maria Tapó.
Destacando que o apoio do Governo à igualdade do género e a inclusão social como componentes essenciais da construção do Estado, Xanana Gusmão disse que aquelas políticas só terão valor se tiverem resultados concretos.
"Quero igualmente sublinhar que não existe qualquer tradição, cultura ou autoridade familiar que possa justificar a violência contra as mulheres. Os homens devem ser parceiros ativos nesta mudança, começando na família, na escola, na igreja e na comunidade. Devemos construir uma sociedade assente no respeito mútuo, na igualdade e na responsabilidade partilhada", afirmou.
Dados da Comissão para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres, da ONU, indicam que em Timor-Leste mais de metade das mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos sofreram violência física ou sexual de um parceiro do sexo masculino.
Na sua intervenção, Xanana Gusmão disse também que quer ver em Timor-Leste mulheres protagonistas do desenvolvimento e não apenas beneficiárias.
"As mulheres devem ter oportunidades para liderar, inovar, criar empresas, produzir conhecimento e participar nas decisões mais importantes do país", sublinhou.
O líder timorense pediu também aos homens e às mulheres do país para garantirem que daqui a 50 anos Timor-Leste seja uma nação onde a "igualdade, a justiça e a inclusão" sejam uma "realidade vivida por todos os cidadãos".
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