Zelensky alerta para cenário sem EUA como garantes da segurança global
O Presidente ucraniano advertiu hoje que as eleições intercalares norte-americanas podem criar um cenário em que Washington se retire da arquitetura de segurança global e defendeu que, nesse caso, a Europa deveria preencher o vazio.
Num discurso na Conferência de Segurança de Berlim, Volodymyr Zelensky afirmou que muitas pessoas ainda se lembravam de "uns Estados Unidos em que se podia confiar".
Nessa altura, segundo Zelensky, os Estados Unidos (EUA) eram não só uma fonte de liberdade, mas também de determinadas regras globais que ofereciam previsibilidade e garantias às relações entre Estados.
Para Zelensky, as eleições intercalares de hoje nos Estados Unidos serão determinantes em relação à arquitetura de segurança global, num contexto de grande incerteza.
Viveram-se dias "em que o mundo sentiu que a imagem que tinha [dos Estados Unidos] talvez já não exista", declarou na conferência em Berlim, citado pela agência espanhola EFE.
Sem criticar diretamente o Presidente norte-americano, Donald Trump, o líder da Ucrânia advertiu que ainda não é possível prever como se desenvolverá a política internacional de Washington no futuro.
"Talvez os Estados Unidos não abandonem as alianças existentes", admitiu.
Mas também é possível ter de lidar com uns Estados Unidos "muito mais concentrados em si mesmos" e aos quais "é indiferente que sem eles outros percam a sua segurança".
Numa situação assim, em que o papel de Washington no mundo "pode tornar-se mais pequeno", argumentou "o papel da Europa tem de ser maior".
Por isso, alertou, se países como a França ou a Alemanha desaparecessem do mapa da segurança internacional, na sequência dos resultados das eleições que vão ter em 2027 e 2029, respetivamente, a arquitetura que protege a Europa ruiria.
Zelensky afirmou que, num momento em que o continente está a viver "tensões nas ruas, nos parlamentos, entre pessoas", votar num governo errado pode ter consequências catastróficas, como ilustrou com a eleição de Vladimir Putin na Rússia há 26 anos.
"Algumas pessoas veem isto como uma questão de escolher uma cor política ou outra, uma escolha que se pode reverter. Alguns pensam que no final tudo correrá bem, sem ter de contribuir", criticou.
No caso da Rússia, afirmou Zelensky, o resultado de uma "escolha errada" não foi apenas o país encontrar-se agora sob o domínio de um ditador, como qualificou Putin, mas sim dedicar-se a destruir a segurança global.
Zelensky também associou Moscovo às "ideias extremistas" propagadas por 'bots' russos nas redes sociais, numa advertência implícita contra partidos políticos favoráveis à Rússia, como a Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita), que lidera as sondagens.
"Sem a Alemanha é impossível", afirmou, relativamente à segurança europeia.
"A Europa não tem alternativa à Alemanha", acrescentou Zelensky na conferência em Berlim.
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