Zelensky alerta que Kyiv está em crise e critica autarca da cidade
O Presidente ucraniano alertou hoje que Kyiv está a sofrer as piores consequências dos ataques russos contra infraestruturas críticas e voltou a criticar a atuação do líder da Câmara da capital, Vitali Klitschko, na defesa da cidade.
"Tanto a população como as empresas sofrem cortes prolongados de eletricidade e água, e a situação é crítica", lamentou Volodymyr Zelensky numa nova crítica a Klitschko, alvo de repreensões frequentes por parte do chefe de Estado da Ucrânia devido à má gestão da defesa da capital do país.
Zelensky afirmou que estes problemas se devem "em grande medida" à não aplicação "das decisões tomadas a nível municipal para preparar a época de aquecimento [das habitações e outras estruturas] e face à operação russa contra o setor energético ucraniano".
Além disso, Volodymyr Zelensky disse que o seu Governo está a disponibilizar recursos adicionais às administrações para que acelerem os trabalhos de adaptação e que foram celebrados acordos com países como a Espanha e a Alemanha para o fornecimento de geradores e outros equipamentos necessários para garantir o abastecimento face aos ataques.
O chefe de Estado ucraniano reconheceu a necessidade de contratar pessoal adicional para acelerar os trabalhos de reparação e manutenção dos serviços afetados pelos ataques e, para tal, foi posto em prática um plano para conceder bónus aos trabalhadores responsáveis pela recuperação dos setores afetados.
Nesse sentido, o primeiro-ministro ucraniano, Serhii Koretskyi, salientou a necessidade de alguns setores das Forças Armadas participarem também na restauração da rede elétrica e das instalações energéticas.
Na terça-feira, o autarca de Kyiv voltou a alertar para a situação "extremamente difícil" em relação à eletricidade na capital ucraniana.
"A situação do abastecimento de eletricidade em Kyiv é extremamente difícil. O inimigo continua a destruir a rede elétrica unificada da Ucrânia", realçou Klitschko através da rede social Telegram.
A Ucrânia teme a repetição do cenário do inverno de 2025, quando os ataques russos devastaram as centrais elétricas do país e deixaram, por vezes, milhões de pessoas na escuridão e sem aquecimento sob temperaturas gélidas.
Em quase cinco anos de guerra, a Rússia tem visado as infraestruturas elétricas na Ucrânia, sobretudo no outono e no inverno.
A Ucrânia, por seu lado, tem atacado regularmente as refinarias e os depósitos de petróleo na Rússia, bem como outras instalações energéticas.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.
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