Zelensky reúne-se com Witkoff para fazer avançar negociações com Moscovo
O Presidente ucraniano reúne-se hoje na Noruega com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, numa tentativa de relançar as negociações com a Rússia e num momento de tensões entre Washington e Kiev.
A reunião a quatro, que conta com Volodymyr Zelensky, Steve Witkoff, com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, e o Presidente finlandês, Alexander Stubb, decorre na sede do Governo da Noruega por ocasião da visita oficial do chefe de Estado ucraniano ao país.
Witkoff deverá viajar posteriormente para a Rússia para se reunir uma vez mais com o Presidente russo, Vladimir Putin.
Segundo a agência norueguesa NTB, participarão nas reuniões, por videoconferência, o outro enviado especial da Casa Branca, Jared Kushner, bem como "outros aliados europeus da Ucrânia", sem especificar quais.
O Presidente ucraniano deverá comparecer com Store e Stubb perante a imprensa às 19:15 (18:15 em Lisboa), para falar sobre os resultados do encontro.
"Mantemos um diálogo com os ucranianos, com os norte-americanos, temos contacto com os nossos parceiros e aliados europeus, mas diria que tudo isto surgiu há apenas alguns dias", disse o primeiro-ministro norueguês esta manhã.
Relativamente ao aumento das tensões entre Washington e Kiev, salientou que, na sua opinião, é preciso levar "a sério" o que o Presidente norte-americano, Donald Trump, disse, mas também ter em conta que os Estados Unidos se encontram imersos numa campanha eleitoral com vista às eleições intercalares.
"Estamos a manter todos os contactos que possam contribuir para trazer a paz", afirmou Zelensky numa mensagem publicada nas redes sociais pouco depois da sua aterragem no aeroporto de Gardermoen.
O líder ucraniano encontrou-se igualmente com o rei da Noruega, Haakon VII, a quem agradeceu o apoio do povo norueguês a Kiev.
"Falámos sobre o regresso das crianças ucranianas que foram raptadas pela Rússia. Temos de trazer de volta todas as crianças ucranianas. Discutimos as medidas que podemos tomar para tal. Estamos a envidar todos os esforços possíveis para ajudar também o nosso povo em Oleshky, que se encontra sob ocupação russa", escreveu Zelensky, referindo-se à cidade em Kherson que enfrenta uma potencial catástrofe humanitária.
Na segunda-feira, o líder ucraniano falou com o Papa Leão XIV sobre a situação em Oleshky, após o líder do Vaticano ter mantido uma conversa telefónica no final da semana passada com Putin sobre o mesmo tema.
No rescaldo da conversa, o chefe de Estado ucraniano agradeceu o apoio de Leão XIV e discutiu ainda os desafios e ameaças em matéria de segurança incluindo "a falta periódica de avisos por parte de parceiros sobre ataques com mísseis balísticos russos".
No domingo, numa entrevista ao canal norte-americano NBC, Zelensky disse que a partilha de informações "esteve bloqueada durante algum tempo e, depois, foi desbloqueada pelo lado norte-americano", algo negado por Washington.
Os Estados Unidos e a Ucrânia viveram nos últimos dias um momento de grande tensão, com os ucranianos a denunciarem que Washington limitou a transmissão de informações de segurança, o que causou constrangimentos na utilização do sistema de satélites Starlink, propriedade do milionário Elon Musk, dono da SpaceX.
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