PSYCHOTIC EYES

Embora a ortodoxia prevaleça entre a maioria das bandas de death metal, o Psychotic Eyes sempre foi um personagem antagônico a qualquer padrão pré-estabelecido. Seja através do disco de estreia autointitulado, ou do elogiado “I Only Smile Behind The Mask” – indicado entre os “Melhores de 2011” pelos leitores da Roadie Crew -, o Psychotic Eyes nunca se limitou artisticamente. Buscou referencias em estilos musicais como o jazz e a música brasileira, fez uma releitura extrema para uma música do Chico Buarque, gravou uma balada death metal… Fizeram mesmo de tudo, menos o óbvio. E quando se tem em jogo mentes como a dos músicos do Psychotic Eyes, é melhor não subestimar sua capacidade criativa. Afinal, quem antes imaginou ser possível gravar e lançar um disco inteiramente acústico de death metal? Violões e vocais guturais! Essa é a receita minimalista, porém ousada, de “Olhos Vermelhos”, o primeiro disco acústico de death metal da história lançado pelo Psychotic Eyes. Tudo começou no final de 2014, ao fim da turnê de “I Only Smile Behind The Mask”. A banda concentrava-se na pré-produção de seu novo álbum quando o baterista Alexandre Tamarossi desligou-se do grupo. Foi quando, ainda sem um novo baterista, o Psychotic Eyes recebeu um convite para fazer um show importante. Tiveram a ideia de realizar um show acústico, sem bateria: death metal tocado com dois violões e vocais guturais! O que parecia improvável tornou-se histórico! Nunca antes foi registrado um show de death metal acústico como o realizado pelo grupo na Galeria Olido em São Paulo. O espírito vanguardista do Psychotic Eyes ganhou projeção na mídia do mundo todo. O resultado final ficou tão bom que entrar em estúdio e registrar algumas músicas nesse formato acabou tornando-se inevitável. “Olhos Vermelhos” foi o título que o agora duo, Dimitri Brandi (vocal/violões) e Douglas Gatuso (vocal/violões) escolheram para esse que é o novo EP do Psychotic Eyes e o primeiro trabalho de death metal acústico da história! A capa de “Olhos Vermelhos”, enquanto pintura, é uma retórica muda. Assinada pela artista plástica gaúcha Nua Estrela, a obra transmite aos olhos do observador tudo o que o Psychotic Eyes se propõe com esse trabalho. De forma que sua concepção original foi mantida: o Psychotic Eyes não incluiu logotipo e nem título do trabalho na imagem! Além de preservar a subjetividade e concepção original da obra de Nua Estrela, “Olhos Vermelhos”, enquanto obra de arte, passa a ser uma “unidade pluralista”, ao colocar em diálogo a música extrema e as artes plásticas. Não obstante, a ausência de um logotipo evita a mercantilização de uma obra de arte. “ Finalmente ” Olhos Vermelhos ” ficou pronto!”, comemora Dimitri Brandi. “ E u achei sensacionl usar, com o capa desse disco , um quadro que não foi pintado com essa finalidade . A imagem fala por si, mas não tem nada a ver com capas de disco s de rock. A meu ver, tanto a pintura como todo essa ideia e concepção, repr esentam algo diferente, inusitado e inovador.” “Olhos Vermelhos” foi gravado, mixado e masterizado no estúdio HBC Records em Guarulhos/SP por Humberto Belozupko. O disco reúne uma composição inédita, “Olhos Vermelhos”, que é baseada num poema de Luiz Carlos Barata Cichetto, a primeira música já gravada pelo Psychotic Eyes em Português. Também estão no álbum, em novos arranjos, “The Hand of Fate” – presente no álbum de estreia de 2007 – além de “Life” e “Dying Grief”, de “I Only Smile Behind The Mask”. “Foram anos de trabalho”, conta Dimitri. “Desde a concepção da ideia de um disco de Death Metal acústico, passando pela com posição, arranjos, gravação, m ixagem e masterização. Ne sse período, as vidas dos integrantes sofreram todas as reviravoltas possíveis ; paternidade, mudanças de emprego e de endereço. Ao mesmo tempo, descobrimos que a tarefa de gravar death metal de maneira acústica é algo assustadoramente difícil. Mas conseguimos! A agressividade e a violência do estilo estão aí, mesmo que não haja guitarras distorcidas, baixo pulsante ou uma bateria tocada em alta veloc idade. Os vocais guturais e as melodias macabras dão conta do r ecado e mostram a riqueza do es tilo, mesmo que a sonoridade esteja mais suave pelo uso de violões. Creio que conseguimos produzir uma música inédita, ousada e original, sem precedentes no estilo. E xatamente como foi a obra de Chuck Schuldiner, que quisemos homenagear lançando o disco na d ata de sua morte, 13 de Dezembro”. Lançado apenas digitalmente, não é pretensão dizer que “Olhos Vermelhos” é o legado deixado pelo Psychotic Eyes ao universo do metal. A conclusão de Dimitri é dissertativa: “Eu toco desde os 15 anos e nunca gostei de copiar, sempre tive preocupação com a inovação. O Psychotic Eyes é uma banda que inovou sempre. Claro , nunca fizemos algo tão radical quanto isso, pois acabamos criando um estilo musical no vo, inédito e inusitado, que mistura extremos. A extrema brut alidade dos voca is guturais com a extrema suavidade dos violões acústicos, sem percussão, sem baixo, sem nada eletrific ado nem nada intenso no instrumental, senão os berros e gritos guturais que caracteriza m o Death Metal. Acho que co nseguimos mostrar que o estilo é muito mais que isso . O macabro , o agressivo , o melancólico e o depressivo que aparecem nos arranjos de violão mostram que o Death Metal não depende, necessariamente, da massa sonora agressiva dos tim bres tradicionais”

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