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A análise de um fã de "Street Fighter" ao novo filme

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Minuto Fonte Externa
16 de outubro de 2026 • 6 min de leitura
A análise de um fã de "Street Fighter" ao novo filme

Ainda que “Street Fighter” não tenha sido o primeiro jogo a passar-me pelas mãos, este é um daqueles títulos que parece que sempre marcou presença na minha vida enquanto jogador. A primeira memória que tive da franchise da Capcom foi (como acontece com milhões de pessoas em todo o mundo) com “Street Fighter II” na Super Nintendo e, desde então, tornou-se uma referência absoluta.

 

Mesmo que entre o final dos anos 90 e começo dos anos 2000 me tenha afastado dos jogos de luta em 2D devido aos mais vistosos (e muitos competentes) propostas com grafismo 3D como - como “Tekken” e “Soul Calibur” - foi com “Street Fighter IV” (em 2008) que me voltei a apaixonar pela série e voltei a ter o Ken como lutador favorito.

Desde então joguei todos os novos capítulos de “Street Fighter” que foram lançados e, ainda que não tenha mais tempo para investir na aprendizagem de combos ou participar em competições organizadas pela comunidade de jogos de luta, esta é uma saga que continua a ser muito próxima do meu coração.

Ken e Ryu © Paramount Pictures  

Além dos jogos, também guardo um carinho especial pelo filme de 1994 e que tinha Jean-Claude Van Damme no papel de Guile como protagonista e Raul Julia numa interpretação memorável enquanto M. Bison. Este é um daqueles filmes que, apesar de ter sido duramente criticado durante os anos que se seguiram à estreia, acabou por se tornar uma adaptação acarinhada pelos fãs.

Foi portanto com curiosidade que marquei presença na antestreia a mais recente adaptação desta saga de jogos de luta, que volta a ser chamada simplesmente de “Street Fighter” e que conta com todo um novo elenco. O visionamento aconteceu na sala IMAX do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e marcaram presença dezenas de fãs de “Street Fighter” naquilo que se pode dizer que foi uma autêntica celebração da série.

No que diz respeito ao filme propriamente dito, não é livre de críticas. Muito pelo contrário, aliás. O argumento explora muito poucas das várias personagens que marcam presença. Cheguei até a pensar se não teria sido mais inteligente focar a história na relação daqueles que são os verdadeiros protagonistas do enredo, nomeadamente Ryu e Ken.

A história tem lugar numa altura em que Ryu e Ken - outrora amigos e pupilos do mesmo mestre - estão afastados por vários anos depois de Ryu vencer a primeira edição do First World Fighting Tournament. Depois deste afastamento, os dois (e muitos outros lutadores) são recrutados por Chun-Li (ao serviço de M. Bison) para competirem na segunda edição, criada pelo vilão para atrair Ryu e extrair-lhe os poderes que exibiu no combate final do primeiro torneio.

Chun-Li © Paramount Pictures  

Os motivos do afastamento entre os dois, assim como as razões que levam Chun-Li a aliar-se a M. Bison, são explorados pelo filme, mas senti que o desenvolvimento é demasiado espaçado e superficial para estas personagens icónicas serem devidamente aprofundadas. Assim, não espere que esta nova adaptação de “Street Fighter” tenha servido para aproveitar uma nova oportunidade para explorar estas personagens.

Também senti que, sendo um filme baseado num jogo de luta, as sequências de combate podiam (e deviam) ter sido mais trabalhadas. Muitas delas são demasiado curtas para ficar na memória, ainda que enquanto fã tenha apreciado ver movimentos saídos diretamente dos jogos numa atenção ao detalhe que vai muito além dos clássicos Hadouken e Shoryuken.

Colocando de parte estes defeitos (e outros que ainda mencionarei), “Street Fighter” é um filme inegavelmente divertido e, sobretudo, não pretende ser mais do que aquilo a que se propôs. Ao invés do filme de 1994, que só foi apreciado pelos fãs vários anos depois, a versão de 2026 é certamente reconhecida por ser uma boa proposta ao não se levar demasiado a sério.

Andrew Koji (Ryu) e Noah Centineo (Ken) têm uma boa química e sempre que estão juntos é certo que sairão cenas divertidas. A homenagem aos anos 90 também deve ser assinalada e as sequências acompanhadas por temas icónicos desta década - como “Black Hole Sun” dos Soundgarden e “Come Out and Play” dos The Offspring - são muito bem-sucedidas.

Guile © Paramount Pictures  

Foram várias as ocasiões em que o filme arrancou gargalhadas genuínas do público que, novamente, era composto por fãs. Os produtores sabem disto e, antecipando esta resposta, incluíram músicas conhecidas da saga e alguns dos criadores de conteúdos mais próximos dos videojogos e da comunidade dos jogos de luta - como é o caso de Maximillian “Dood” Christiansen e de Justin Wong. A participação deste último conta até com uma referência direta a um dos momentos mais icónicos da cena competitiva de “Street Fighter”, o que servirá para arrancar alguns sorrisos.

Ainda que inicialmente tenham causado dúvidas, a escolha de personalidades públicas conhecidas para interpretarem algumas personagens - como o rapper 50 Cent enquanto Balrog ou o wrestler Cody Rhodes como Guile - mostraram-se acertadas. No entanto, o mesmo não acontece com o wrestler Roman Reigns enquanto Akuma.

Ainda que só apareça no final do filme, o vilão Akuma tem uma presença constante ao longo do filme e é um motivo de conflito interno em Ryu. Infelizmente, a caraterização - que podia ter sido feita por algum “cosplayer” - não faz justiça à imponência e impacto que o vilão devia ter no filme e a sequência final torna-se anticlimática, parecendo até ter sido feita apressadamente. Este não seria um problema tão grande se Akuma fosse uma mera personagem secundária, mas o filme faz questão de elevar a importância do vilão e, desta forma, a sua entrada em cena deixa a desejar.

Em jeito de conclusão, esta nova adaptação de “Street Fighter” é uma proposta que os apreciadores do filme (clássico) de 1994 vão certamente gostar de ir ver ao cinema e que é diversão garantida. Enquanto fã de “Street Fighter”, foi bom reparar em todas as referências e ver atores que claramente se divertiram a fazer um filme que, tudo somado, acaba por conseguir exatamente ao que se propôs - mesmo que não seja bem-sucedido com todos os elementos.

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