Acampada de Barcelona apoia Porto e protesta em frente ao consulado
A organização da acampada de Barcelona, que luta pelo direito à habitação, mostrou-se hoje solidária com a do Porto, criticando a carga policial de que foram alvo na madrugada de quinta-feira, com uma ação em frente ao consulado português.
"Comunicamos o nosso posicionamento político contra os factos na madrugada de 15 de outubro no Porto", pode ler-se numa nota de imprensa enviada hoje à Lusa pela acampada instalada na Praça Catalunha, em Barcelona, Espanha.
Segundo estes manifestantes, é de condenar "a violência exercida sobre os companheiros por parte do Estado, através do órgão policial", razão pela qual decidiram protestar, pelas 18:00 locais (às 17:00 em Lisboa), junto ao consulado português, a poucos metros do local onde decorre a acampada.
"Exigimos que seja permitido que os portugueses exerçam o seu direito a mobilizarem-se, organizarem-se e manifestarem-se pacificamente sem serem reprimidos brutalmente", criticam.
No Porto, há hoje uma vigília pelas 19:00, estando desde já prometido o regresso da acampada no sábado, enquanto Lisboa tem previsto iniciar essa ação nesse mesmo dia.
Na noite de quinta-feira, a partir das 19:00, cerca de três mil pessoas concentraram-se para manifestar pelo direito à habitação, na sequência de uma acampada que começou no sábado e teve intervenção de limpeza municipal na segunda-feira, primeiro, e uma carga policial na madrugada de quinta-feira, depois, da qual resultaram quatro dezenas de feridos, com a organização a garantir ter sido sempre pacífica e a PSP a defender que houve "resistência".
A última concentração deslocou-se, durante alguns minutos, até à Câmara do Porto, em frente à qual o protesto decorreu antes de regressar à Praça D. João I em que tem decorrido desde que começou.
Os organizadores apelaram ao regresso no sábado ao local, com autorização camarária, durante todo o dia, em paralelo com a ação convocada para esse dia pela CGTP.
A PSP enviou para o Ministério Público (MP) uma participação com imagens de vídeo sobre a intervenção policial na manifestação pela habitação na madrugada de quinta-feira no Porto.
Segundo fonte policial, a PSP remeteu para o MP um auto de notícia no qual descreve o que aconteceu "antes, durante e após" a carga policial, fazendo acompanhar esta participação de um "registo videográfico dos incidentes".
A fonte explicou que as imagens de vídeo foram recolhidas pelas câmaras de videovigilância públicas colocadas junto à praça D. João I, local onde ocorreu a carga policial e onde estavam as tendas dos ativistas.
De acordo com a PSP, as imagens vão permitir identificar várias pessoas por suspeitas de resistência e coação, agressão e injúrias.
A fonte explicou ainda que a PSP envia sempre para o MP um auto de notícia quando estão em causa crimes.
Também quando há violência policial a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abre um processo, sendo um procedimento recorrente.
Numa resposta enviada à Lusa, a IGAI informa que abriu um processo administrativo na sequência do conhecimento da intervenção policial na manifestação pela habitação através das notícias e imagens divulgadas publicamente.
A inspeção que fiscaliza a atividade das polícias indica ainda que solicitou informações à PSP sobre a intervenção para apurar as circunstâncias e avaliar os procedimentos adotados.
Montenegro nega ter chamado "egoístas" a manifestantes no PortoO primeiro-ministro, Luís Montenegro, negou ter falado em "egoísmo" dos manifestantes pela habitação e leu, em Bruxelas, as declarações feitas por si esta semana - depois de as transcrever. O chefe de Governo fala mesmo de ameaças à sua casa.
Notícias ao Minuto | 18:31 - 16/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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