Acampada de Lisboa dispersa pela Mouraria mas PSP mantém-se atenta
Os manifestantes da Acampada de Lisboa dispersaram hoje, cerca das 03:30, por uma rua da Mouraria, depois de terem sido cercados pela polícia na Praça da Figueira, com a organização do protesto a falar em "muitos" feridos e detidos, sem precisar.
Depois de mais de duas horas de tensão com a PSP, que pediu várias vezes aos manifestantes, sem sucesso, que retirassem as tendas que tinham montado no Rossio, a polícia interveio e avançou sobre a multidão concentrada naquela praça.
Eram 02:00 quando a PSP entrou no Rossio e começou a empurrar os manifestantes para a Praça da Figueira, tendo-se registado algumas bastonadas e disparos de petardos.
Pelas 03:30, com os ânimos mais calmos, a polícia mantinha-se a formar um cordão policial na Rua da Palma, em frente à Praça do Martim Moniz, criado cerca das 03:00 na sequência da retirada dos manifestantes da Praça da Figueira.
Um dos porta-vozes da Acampada de Lisboa pelo direito à habitação disse que a intervenção policial na Praça do Rossio, que ocorreu após três avisos da PSP para retirarem as tendas, provocou "muitos feridos e muitos detidos", sem conseguir precisar quantos.
A PSP não prestou ainda um balanço da intervenção policial na Praça do Rossio, onde na noite de sábado foram montadas mais de 150 tendas.
Pelas 03:40, a Praça do Rossio estava totalmente limpa e vazia, mantendo-se cercada de elementos policiais.
Antes desta acampada, milhares de pessoas participaram na manifestação "Não temos casa, montamos tendas!", que partiu do Marquês de Pombal, em direção à Praça do Rossio, onde, desde o passado sábado, a Acampada de Lisboa se tem reunido todos os dias, à exceção de sexta-feira que se concentrou no Bairro do Condado, para exigir medidas para resolver a crise da habitação.
Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas - verdadeiramente acessíveis, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
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