Acampada promove concentração contra violência policial e pela habitação
O movimento Acampada de Lisboa vai promover hoje uma concentração no Rossio contra a violência policial e pela habitação, revelando que mais de 30 pessoas ficaram feridas esta madrugada após a carga policial.
"Até ao momento, temos conhecimento de mais de 30 pessoas feridas, 10 das quais hospitalizadas", informou o movimento Acampada de Lisboa, num comunicado partilhado nas redes sociais, em que expõe "mais violência policial contra quem luta pela habitação".
Por isso, o movimento vai organizar hoje, às 17:00, no Rossio, uma concentração contra a violência policial e pela habitação.
"Esta noite, a Acampada de Lisboa voltou a ser alvo de violência policial. Pelas 04:15, a PSP carregou indiscriminadamente sobre manifestantes, provocando feridos e destruindo estruturas comunitárias da acampada. Esta é a terceira intervenção policial violenta contra a Acampada de Lisboa em menos de três semanas", expôs o movimento.
Além de feridos, houve seis manifestantes detidos, tendo sido já libertados, prevendo-se que sejam presentes a juiz na segunda-feira.
Na madrugada de hoje, a PSP avançou praticamente em simultâneo sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizassem, retirando tendas, e deteve 13 pessoas, seis em Lisboa e sete no Porto.
Quanto aos feridos, a PSP disse ter conhecimento "da existência de civis feridos, não sendo, contudo, possível, neste momento, avançar com um número concreto", indicando que 13 polícias ficaram feridos, dos quais oito necessitaram de transporte a unidade hospitalar.
Em comunicado, a Acampada de Lisboa reafirmou que tem ocupado a Praça do Rossio "de forma pacífica, sem perturbar a ordem pública nem impedir a circulação".
"É nosso entendimento jurídico, partilhado, segundo a informação de que dispomos, pelo Ministério Público, que a colocação e manutenção de tendas neste contexto não constitui crime. Até ao momento, não nos foi apresentada qualquer fundamentação legal que justifique a sua retirada", afirmou o movimento.
"Porque é que pessoas que exercem pacificamente o seu direito de manifestação são recebidas com violência? Porque é que uma estrutura comunitária, construída coletivamente e assente na solidariedade, é tratada como uma ameaça", interroga a Acampada de Lisboa.
A este propósito, o movimento responsabilizou politicamente o Governo de Luís Montenegro (PSD) pela "repressão policial" contra a Acampada de Lisboa.
"Não aceitaremos que a luta por um direito constitucional seja respondida com violência, detenções e destruição dos nossos espaços de organização coletiva", reforçou, apelando às organizações da sociedade civil, sindicatos, movimentos sociais, associações e a todos os cidadãos comprometidos com os direitos fundamentais para que condenem publicamente estas intervenções e manifestem solidariedade com as pessoas feridas e detidas.
"Exigimos o fim da violência policial, a identificação das responsabilidades pelas agressões e esclarecimentos sobre os fundamentos legais invocados para a retirada das tendas", frisou a Acampada de Lisboa.
"Não nos vão calar. Continuaremos a organizar-nos coletivamente pelo direito à habitação, à manifestação e a uma vida diga", garantiu o movimento.
Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas - verdadeiramente acessíveis, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
[Notícia atualizada às 10h43]
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