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Anamola diz que Venâncio continua líder do partido apesar do julgamento

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Minuto Fonte Externa
20 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Anamola diz que Venâncio continua líder do partido apesar do julgamento

O partido moçambicano Anamola afastou hoje qualquer possibilidade de substituição de Venâncio Mondlane na liderança da organização política, após especulações suscitadas pelo julgamento do fundador do partido, em novembro.

 

A posição foi assumida pelo secretário-geral da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), James Njiji, que garantiu que a eventual substituição de Venâncio Mondlane nunca foi discutida nos órgãos internos da organização.

"Não sei porque é que nós temos de substituir o presidente por ir a julgamento. Em nenhum momento é matéria de discussão nos nossos órgãos. Ele continua presidente do partido e vai continuar até após o julgamento", disse James Njiji, questionado durante uma conferência de imprensa, em Maputo.

Venâncio Mondlane foi eleito presidente da Anamola em agosto deste ano, na província de Nampula, para um mandato de cinco anos, partido que o próprio, candidato presidencial em 2024, fundou em 2025.

"Nunca foi matéria de debate a substituição do engenheiro Venâncio como presidente do partido Anamola por ele ser indiciado e ter que participar no julgamento", declarou, sobre o processo em tribunal no âmbito das manifestações pós-eleitorais em Moçambique.

As declarações surgem também a poucos dias da Convenção Nacional da Anamola, marcada para 24 de outubro, destinada a apreciar alterações aos estatutos e outros regulamentos internos da organização.

"Nós sabemos que o presidente Venâncio será absolvido neste processo e nunca pensamos em nenhum momento em vê-lo fora do cenário político", afirmou.

O Tribunal Supremo agendou para 17 de novembro o início do julgamento de Venâncio Mondlane, no âmbito dos protestos que se seguiram às eleições gerais de 09 de outubro de 2024, nas quais o político foi candidato à Presidência da República e não reconheceu os resultados oficiais.

O processo foi movido pelo Ministério Público, que acusa o político dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público, consultado pela Lusa, a prova contra Venâncio Mondlane assenta, em grande medida, nos apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos difundidos através de transmissões em direto nas redes sociais.

Em setembro, o Tribunal Supremo rejeitou o pedido de transmissão em direto do julgamento pelos órgãos de comunicação social, alegando a necessidade de salvaguardar a lisura do processo.

Venâncio Mondlane nunca reconheceu os resultados das eleições gerais de 2024, que atribuíram a vitória a Daniel Chapo, candidato da Frelimo.

A contestação aos resultados desencadeou vários meses de protestos em diferentes pontos do país, provocando mortos, feridos e danos materiais, segundo autoridades e organizações da sociedade civil.

Leia Também: Venâncio Mondlane exige investigação independente ao duplo homicídio

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