Animal terrestre mais velho do mundo tem 194 anos. Qual o segredo?
A tartaruga-gigante Jonathan é o animal terrestre mais velho do mundo. Tem 194 anos, vive na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, e tem uma saúde de ferro. Sobreviveu a duas guerras mundiais e a grandes pandemias, como a gripe espanhola e a Covid-19.
Agora, uma investigação genética ao animal, realizada por uma equipa internacional de cientistas vinculados a centros dos EUA, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha, revelou o segredo da sua longevidade.
Num artigo publicado no início do mês, a revista científica Science Advances revela que os cientistas recolheram material genético através de uma raspagem do interior da bochecha e de uma análise ao sangue. Para conseguirem fazer isso, o animal foi distraído com comida. Dessa forma, abriu as mandíbulas facilitando o trabalho dos investigadores.
Outras quatro tartarugas da mesma espécie foram também submetidas a uma análise para fins de comparação.
Os cientistas concluíram então que a Jonathan tem não só bons genes, como a maioria da sua espécie, como também não apresenta sinais de deterioração genética. E é aí que está o seu segredo.
Os cientistas identificaram 287 variantes genéticas no animal que reduzem os efeitos habituais do envelhecimento. Essas variantes controlam processos fundamentais do organismo que impedem o envelhecimento celular, como a reparação de danos do ADN, a redução da inflamação, a regulação da insulina e a supressão do cancro.
Em termos mais técnicos, os cientistas estudaram o metiloma completo de Jonathan, ou seja, o conjunto de ‘marcas’ químicas no seu ADN que regula quais os genes que são ativados ou desativados nas células: as instruções precisas que orientam o desenvolvimento e funcionamento do corpo da tartaruga.
No caso do animal em análise, os problemas que podem existir nas ‘marcas’ químicas é mínimo tanto nos genes relacionados com a função mitocondrial, como no processamento de RNA e na reparação do genoma.
Jonathan possui assim o que os cientistas apelidam de "transcrição genética de alta fidelidade", o que lhe confere uma resistência única ao envelhecimento. Isto é, o animal tem um metabolismo e genes de reparo do ADN muito semelhantes ao das tartarugas mais jovens também avaliadas no estudo.
"Em Jonathan, os reguladores genéticos envolvidos na produção de energia e de reparação do ADN permanecem estáveis durante quase dois séculos, o que é notável", revelou à publicação da especialidade um dos autores do estudo, Justin Gerlach, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Por sua vez, Stepen Clark, diretor da Fundação Kallel, que estuda processos de envelhecimento e também participou no estudo, destacou o facto de "o genoma de Jonathan oferecer um modelo de resiliência celular".
Agora, o objetivo dos cientistas é "aproveitar esses conhecimentos e levá-los até os humanos".
Jonathan nasceu nas ilhas Seychelles mas foi levado para a ilha de Santa Helena, em 1882, como presente para o governador William Grey Wilson.
A tartaruga já tinha 50 anos quando se instalou nos jardins da residência do então governador. Apesar disso, parece ter-se habituado bem ao lugar, uma vez que vive lá há 144 anos.
Leia Também: Rara tartaruga com duas cabeças faz sensação no Massachusetts: Veja-a
Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.