Assembleia popular da Acampada de Lisboa termina sem votar propostas
A assembleia popular de hoje da Acampada de Lisboa, que juntou cerca de duas centenas de pessoas no Rossio, terminou pelas 23:00, sem votação de propostas e com a indicação que voltarão a reunir-se na sexta-feira às 19:00.
"Agora, agora que estamos juntas, agora que sim nos veem, abaixo o Montenegro, que vai cair, que vai cair, e viva a acampada a resistir, a resistir", gritaram os manifestantes concentrados junto à estátua de D. Pedro IV, no final da assembleia popular, enquanto iam desocupando o local a um ritmo descontraído.
Ao contrário do que tem acontecido nos últimos dias, em que os manifestantes se concentraram a partir das 19:00 no Rossio, a assembleia popular de hoje começou pelas 21:00, por questões logísticas, inclusive da cantina comunitária montada na praça.
Uma das propostas apresentadas na assembleia popular, através do microfone aberto, foi do grupo de trabalho responsável pela logística da Acampada de Lisboa, nomeadamente a cozinha, que sugeriu que a hora das assembleias passe definitivamente para as 21:00.
Já alguns dos participantes apelaram à organização de uma única Acampada, que junte as várias cidades associadas ao movimento em defesa do direito à habitação.
A 13.ª assembleia popular da Acampada de Lisboa teve como ordem de trabalhos recolher propostas sobre como melhorar a organização e o processo de tomada de decisão, "pela saúde da Acampada", situou Priscila Valadão, uma das porta-vozes.
Depois de duas horas de reunião, com a maioria das pessoas sentadas no chão da calçada a ouvir quem intervinha, Priscila Valadão leu o conjunto de propostas, que serão publicadas nas redes sociais para reflexão, e avisou que a votação acontecerá na sexta-feira, na assembleia popular às 19:00 no Rossio.
A porta-voz reforçou ainda que no próximo sábado, às 16:00, no Largo Luís de Camões, haverá a manifestação "Não temos casas, ficam as tendas!", que terminará na Praça D. Pedro IV, no Rossio, onde pretendem voltar a montar as tendas.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação dos imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
As acampadas pelo direito à habitação começaram em 10 de outubro, no Porto, e estenderam-se depois a Lisboa.
Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e retirassem as tendas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação, no que têm sido acompanhados por vários juristas, enquanto a PSP tem fundamentado as suas intervenções num decreto-lei de 1974, que refere que os protestos não podem ir além das 00:30.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais de domingo, que causaram dezenas de detidos e de feridos, tendo a provedora de Justiça solicitado também informações à PSP, com caráter de urgência.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção Presidente da República, António José Seguro.
O chefe de Estado apelou na terça-feira ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre os manifestantes.
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