Chefes tribais do Iémen lançam "código de honra" para proteger civis
Cerca de cem líderes tribais iemenitas lançaram hoje, na sede da ONU em Genebra, um "código de honra" comprometendo-se a proteger os civis em tempos de conflito e a garantir o acesso à ajuda humanitária.
Depois de quatro anos de estabilidade, o Iémen voltou à guerra, arrastado pelo conflito no Médio Oriente. As hostilidades intensificaram-se em setembro com uma ofensiva dos combatentes houthis pró-iranianos no oeste do país.
O documento apresentado em Genebra baseia-se nos costumes tribais, nos valores islâmicos e nos princípios do direito internacional humanitário. A sua elaboração começou em 2024 pelos líderes tribais com o apoio do Centro de Genebra para a Governação do Setor de Segurança (DCAF), da Suíça e dos Países Baixos.
"Tudo começou (...) com um grito de alerta vindo do terreno. Um grupo de representantes tribais iemenitas apresentou-se ao DCAF" para pedir ajuda face "ao sofrimento dos civis apanhados entre dois fogos", declarou Trude Strand, uma responsável daquela fundação suíça, durante a cerimónia.
"No início eram apenas alguns", especificou, em declarações à agência de notícias francesa AFP.
Desde então, cerca de 5.000 chefes tribais assinaram o código de honra, representando "cada governo".
"Não foi uma tarefa fácil, e nem todos estávamos de acordo desde o início", contou um dos responsáveis iemenitas, xeque Abdulkarim al-Maqdashi.
Apenas cerca de cem chefes tribais foram a Genebra para o lançamento oficial, marcado pelo hino nacional iemenita e a leitura de versículos do Alcorão, assim como do código de honra.
Laila Lutf al-Thawr, secretária-geral do partido da Esperança Árabe e uma das raras mulheres presentes na sala, saudou a presença de signatários ligados aos houthis. "Fico feliz por os termos aqui connosco", afirmou à AFP.
"Todos estamos ligados. O que está na origem de todos estes problemas [no Iémen] é a agenda política, não a sociedade iemenita", disse.
O código visa proteger os civis e os feridos, a respeitar os mortos, tratar os prisioneiros com humanidade e preservar as infraestruturas civis. Mas, trata também de garantir a livre circulação das pessoas e o acesso à ajuda humanitária.
O código apela igualmente a que se rejeite a violência e o terrorismo.
A divulgação deste código será assegurada por campanhas de sensibilização e formação, mediação tribal, com sanções e mecanismos de monitorização das violações.
"Iniciativas enraizadas localmente como esta não podem substituir os esforços políticos, mas podem dar uma contribuição importante ao criar confiança e reforçar as bases sobre as quais assenta uma paz duradoura", salientou a diretora-geral da ONU em Genebra, Tatiana Valovaya.
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