Bardella reeleito presidente do União Nacional com quase 99% dos votos
O eurodeputado Jordan Bardella foi reeleito hoje presidente do partido francês da extrema-direita União Nacional (RN), cargo para o qual era o único candidato com quase 99% dos votos e uma participação próxima dos 68%.
O político, 31 anos, presidente do RN desde 2022, foi eleito no primeiro dia do congresso do partido, um dia de manifestações em massa em toda a França e uma semana depois de, no âmbito dos protestos contra o elevado custo de vida, se terem registado casos de violência, incluindo saques.
O congresso decorre em Orleães, no centro de França, onde Marine Le Pen deverá lançar oficialmente no domingo a sua campanha para as eleições presidenciais de abril, numa altura em que lidera as sondagens.
Em resposta a uma convocatória de cerca de meia centena de partidos políticos, sindicatos e associações, 13 mil pessoas, segundo as autoridades, e 26 mil, segundo os organizadores, manifestaram-se hoje pacificamente na cidade do Vale do Loire contra o congresso da União Nacional (RN).
Temendo a violência, a câmara municipal de Orleães fechou os espaços públicos e ordenou aos restaurantes que mantivessem as suas áreas exteriores fechadas.
Segundo a agência France-Presse, os elétricos pararam e o trânsito foi proibido no centro histórico da cidade, tendo sido mobilizados 3.000 polícias.
O presidente da câmara, Serge Grouard, anunciou o recolher obrigatório para menores de 15 anos em toda a cidade durante as próximas duas noites.
Candidata pela quarta vez ao Palácio do Eliseu, Marine Le Pen conta com projeções de vitória por larga margem na primeira volta e de derrota de todos os seus potenciais adversários na segunda, incluindo o seu principal rival, o líder da França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Jean-Luc Mélenchon.
Os dois candidatos, que representam um cenário político francês cada vez mais polarizado, estão envolvidos numa acesa disputa centrada na violência que eclodiu à margem das manifestações de 17 de outubro, refere a AFP.
Marine Le Pen acusa o LFI de ter "sequestrado o movimento, que começou por ser um protesto de estudantes do ensino secundário" e de tentar mergulhar o país no caos.
Já Jean-Luc Mélenchon, que participou na última marcha parisiense, atribuiu os confrontos à estratégia policial e tem criticado o governo.
Hoje, cerca de 110 mil pessoas, segundo as autoridades, 250 mil, segundo os sindicatos, participaram na manifestação em Paris convocada por vários sindicatos e que acabou com confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar um grupo de jovens no final do protesto.
Embora a maioria dos participantes tenha desmobilizado no final do desfile, vários grupos de jovens, a maioria vestidos de preto e com máscaras ou lenços na cara, ficaram para enfrentar os polícias, apesar do forte dispositivo de segurança.
Segundo a Prefeitura da Polícia de Paris, "mais de 500 vândalos atacaram as forças da ordem na [avenida] Cours de Vincennes", no sudeste da capital.
O Governo mobilizou hoje cerca de 70 mil agentes de segurança para evitar a violência do sábado passado, quando três mil lojas foram vandalizadas ou pilhadas.
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