Ben Gvir visita Esplanada das Mesquitas na véspera das eleições
O líder do partido de extrema-direita Poder Judaico visitou hoje a Esplanada das Mesquitas, onde está a Mesquita de Al-Aqsa, terceiro lugar mais sagrado do islão, sob fortes medidas de segurança e na véspera das eleições legislativas israelitas.
O Governo de Jerusalém Oriental, dependente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), explicou que Ben Gvir, também ministro da Segurança Nacional israelita, visitou o local acompanhado por Moshe Feiglin, deputado e líder do partido de extrema-direita Zehut (Identidade), e por um grupo de colonos.
Ben Gvir já tinha visitado a Mesquita de al-Aqsa a 28 de setembro, na altura acompanhado pelo ministro da Defesa israelita, Israel Katz, por ocasião da festividade judaica do Sucot. Antes, a 31 de agosto, Ben Gvir participou em rituais talmúdicos na zona oriental da Esplanada.
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) condenou a visita de Ben Gvir, considerando que representa "um ataque à santidade e ao estatuto" da Mesquita de al-Aqsa e um "desrespeito" pela sensibilidade dos muçulmanos.
O Hamas relacionou a visita com as eleições legislativas israelitas previstas para terça-feira, acusando os responsáveis israelitas de as promoverem à custa do "sangue, dos direitos, das terras e dos lugares sagrados" dos palestinianos, e alertou para uma tentativa de "judaização" da zona.
A Esplanada das Mesquitas, centro religioso de Jerusalém Oriental, alberga a Mesquita de al-Aqsa, terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos.
Num dos seus limites situa-se o Muro das Lamentações, último vestígio do Templo de Salomão judaico, que um setor do judaísmo pretende reconstruir à custa dos lugares sagrados muçulmanos.
Por outro lado, numa mensagem publicada nas redes, Ben Gvir anunciou que foram aplicadas sanções a vários reclusos palestinianos que, ao longo de vários dias, acumularam fatias de pão e colheres de compota para preparar um bolo com que pretendiam celebrar uma eventual derrota eleitoral do ministro ultraortodoxo e aliados.
"Terroristas da prisão de Lavi [no deserto do Negev – sul de Irsrael] acumularam a pouca comida que tinham. Uma colher de compota e mais uma colher de compota, uma fatia de pão e mais uma fatia de pão, durante vários dias, tudo para preparar um bolo improvisado e celebrar na terça-feira caso eu não seja eleito", escreveu Ben Gvir na mensagem, acompanhada por uma imagem do bolo.
No entanto, acrescentou, o bolo "foi descoberto" e os reclusos "foram sujeitos a um processo disciplinar e transferidos para uma cela de castigo".
"Já tinham planeado as comemorações, mas, neste caso, a festa acabou. Na terça-feira, é proibido deixá-los festejar", concluiu.
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