ONU alerta para risco de "limpeza étnica" em Hebron
O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos alertou hoje para o risco de uma "limpeza étnica" em Hebron, na Cisjordânia ocupada, onde o Exército israelita lançou uma ampla operação após um ataque mortal a dois soldados.
"A punição coletiva constitui uma violação grave do Direito Internacional. As ameaças que visam esvaziar e arrasar bairros inteiros também levantam sérias preocupações quanto a uma possível limpeza étnica", declarou Volker Türk num comunicado.
Dois soldados israelitas, de 20 e 23 anos, foram mortos na sexta-feira num ataque levado a cabo por dois atacantes palestinianos perto de Hebron, a maior cidade do território ocupado por Israel desde 1967.
Em seguida, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou o lançamento de uma grande operação militar "antiterrorista" na Cisjordânia, e o Exército entrou no bairro onde residiam os autores do ataque, ordenando aos habitantes que reunissem os seus pertences e abandonassem as casas.
No domingo, o Exército israelita anunciou igualmente "o encerramento" da Cisjordânia ocupada para o dia das eleições legislativas em Israel, na terça-feira.
Volker Türk classificou a operação israelita em Hebron como "agressiva", sublinhando que resultou na deslocação forçada de palestinianos, na demolição de habitações e estabelecimentos comerciais, bem como em restrições à liberdade de circulação dos habitantes.
Estas "medidas em grande escala suscitam sérias preocupações quanto ao uso desnecessário e desproporcional da força — que tem de cessar", afirmou.
Mais de 3.000 pessoas, entre as quais cerca de 500 famílias, foram deslocadas em Hebron desde o início da operação do Exército israelita, na sexta-feira, indicou hoje a Câmara municipal da cidade.
"O bloqueio imposto por Israel obriga muitas pessoas a permanecerem em casa ou nas suas imediações. Declarações de altos responsáveis do Governo israelita indicam que as medidas aplicadas têm um caráter punitivo e visam incutir medo. Isso é inaceitável", condenou o Alto-Comissário.
"Aqueles que foram deslocados devem poder regressar a casa. Israel tem de assegurar indemnizações e reparações pelas expulsões e demolições ilegais, bem como pelas deslocações delas decorrentes", exigiu.
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