Biblioteca Nacional de Espanha exibe obras de Camões em exposição inédita
A Biblioteca Nacional de Espanha, em Madrid, abre na terça-feira as portas de uma exposição dedicada à vida, obra e influência na cultura hispânica de Luís de Camões, com base num "património importante" de obras, incluído algumas "joias".
A exposição "Camões. Vida, obra e permanência na cultura hispânica" será inaugurada pelos chefes de Estado de Portugal e de Espanha, o Presidente António José Seguro e o Rei Felipe VI, na terça-feira, e ficará aberta ao público até 14 de fevereiro de 2027, com entrada gratuita.
Durante estes meses, será possível visitar uma exposição que tem como base obras e coleções que estão à guarda da Biblioteca Nacional de Espanha (BNE), numa "seleção fantástica e irrepetível, que procura honrar a memória de um dos maiores escritores da literatura universal", segundo uma informação divulgada pela instituição.
A exposição integra, por exemplo, algumas das primeiras edições e as primeiras traduções para castelhano de "Os Lusíadas", sendo maioritariamente formada por obras que pertencem à própria BNE.
Mas estarão também em Madrid obras que foram levadas desde várias instituições em Portugal propositadamente para esta exposição, como a única edição que se mantém completa hoje de "Saudades da Terra" (escrito entre 1586 e 1590), de Gaspar Frutoso.
"Uma joia", que viajou para Madrid desde a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, nos Açores, contou à Lusa Manuel de Morais Sarmento Pizarro, da comissão de acompanhamento da exposição, que funciona na Embaixada de Portugal em Madrid.
Estarão ainda em exibição na BNE, vindas de Portugal, obras cedidas pelo Museu Militar de Lisboa (de José Malhoa) e pelo Museu de Lisboa (o quadro "A Morte de Camões" de Francisco Augusto Metrass).
A Biblioteca Nacional de Espanha "conserva um importante património sobre Portugal e a sua história literária" e esta exposição convida também "a descobrir a cultura e riqueza do povo português", segundo a instituição.
Através das peças e coleções que vão ser expostas, Luís Vaz de Camões "é apresentado como produto de um contexto histórico e cultural ibérico e simultaneamente como fonte de inspiração para autores dos dois lados do Atlântico", explicou a BNE.
A exposição está organizada em quatro grandes blocos e o comissário, o professor e doutor em Filologia Românica Aurelio Vargas Díaz-Toledo, da Universidade Complutense de Madrid, escolheu as obras à guarda da BNE "de maior relevância para cada um dos núcleos", explicou Manuel de Morais Sarmento Pizarro.
O primeiro bloco está dedicado aos "antecedentes e contextualização histórico-literária de Portugal" e o segundo pretende "mostrar o ambiente cultural" de Camões, nomeadamente, "obras e autores clássicos, peninsulares e italianos que, de um amaneira ou outra influenciaram decisivamente" Camões.
O terceiro bloco é o dedicado ao "universo literário de Camões" e será neste núcleo que será possível ver uma seleção de obras do autor português conservadas na BNE, como primeiras edições ou as traduções para castelhano de "Os Lusíadas".
Este bloco integra outras obras de Camões, assim como a edição comentada de "Os Lusíadas" de Manuel de Faria y Sousa, publicada em Madrid em 1639 e, realçou a BNE, "considerada um marco no processo de canonização de Camões dentro da literatura castelhana".
O quarto bloco da exposição centra-se na "projeção de Luís de Camões na cultura hispânica" e integra uma seleção de obras "do mundo literário hispânico" de autores como Rosalía de Castro, Francisco Villaespesa ou Jorge Luis Borges.
Segundo a BNE, a exposição termina com o escritor espanhol Antonio Muñoz Molina, autor do livro "Un andar solitario entre la gente", título que retirou do verso "É um andar solitário entre a gente", do soneto "Amor é fogo que arde sem se ver", de Camões.
A exposição "Camões. Vida, obra e permanência na cultura hispânica" resulta de uma colaboração do Governo de Portugal com a BNE (tutelada pelo Ministério da Cultura espanhol).
Insere-se na programação desenvolvida dentro da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do nascimento de Luís de Camões, prevista para o período 2024-2026
As entidades envolvidas assumem que esta exposição é um "ponto alto" e pretende fechar "com chave de ouro" a programação internacional destas comemorações.
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