Filmes do Cinanima com foco na habitação e procura de pertença
As obras portuguesas na edição de 2026 do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho têm como tema dominante a habitação e a busca pelo sentido de pertença, revelaram hoje os organizadores do evento.
Decorrendo de sexta-feira até dia 22 na referida cidade do distrito de Aveiro e noutras salas da Área Metropolitana do Porto, o certame terá 33 filmes nacionais em competição: 10 realizados por profissionais, que disputam o Prémio António Gaio, e 23 dirigidos por estudantes, em categorias para maiores e menores de 15 anos.
Depois de avaliar todos esses projetos, André Ramada, um dos programadores do festival que este ano celebra 50 anos, declara à Lusa: "Se tivéssemos que descrever o programa nacional deste ano, a palavra indicada seria 'casa'".
Contrapondo perspetivas que fazem questionar se lar é o conjunto das paredes de uma morada ou o grupo de pessoas pelas quais um indivíduo se sente acolhido e amado, o programa de 2026 é assim "marcado pela nostalgia, pelo sentimento e pela procura de pertencer a algum lugar".
"Este ano a competição nacional apresenta um dos seus programas mais emotivos", garante André Ramada. "Numa altura em que a crise habitacional no nosso país se torna um dos problemas mais presentes e mais falados, não nos surpreende como os realizadores acabam por revisitar a palavra 'casa' e o que ela verdadeiramente significa", afirma.
O programador realça, aliás, que, desde a sua fundação em 1976 (então com o nome "Mostra de Cinema de Animação"), o Cinanima sempre funcionou como "um espaço seguro e aberto à aprendizagem", quaisquer que fossem os temas explorados nos filmes a exibir ou nas oficinas e conferências a realizar.
"Somos o festival de cinema mais antigo do país e o terceiro festival de cinema de animação mais antigo do mundo", recorda. "Criado logo após o 25 de Abril, o Cinanima transformou-se num dos primeiros locais para explorar livremente esta arte e é muito comum ouvirmos profissionais da área recordarem o festival como o primeiro a que foram ou o primeiro em que algum filme da sua autoria foi exibido ou premiado".
Para André Ramada, isso deve-se ao facto de, ao longo de cinco décadas, o certame se ter mostrado "sempre pronto para novas experiências, para novas colaborações e para arriscar a investir nos jovens talentos".
Nessa perspetiva, "celebrar meio século de Cinanima é, inevitavelmente, festejar 50 anos de animação mundial e cinco décadas de cinema português", sempre com uma "aposta constante na novidade", o que continua a assegurar ao certame o "lugar de relevância que conquistou" e permite mantê-lo como "um dos poucos festivais de cinema portugueses qualificáveis aos Óscares" da academia norte-americana.
Entre as várias propostas que evocam esse percurso, o programa de 2026 incluirá a apresentação a 19 de novembro, no Teatro Municipal de Vila do Conde, do estudo intitulado "50 anos de representação feminina através dos arquivos do Festival Cinanima". A investigação em causa foca-se no percurso das mulheres na animação portuguesa e, mapeando o percurso dessas cineastas, pretende promover a sua visibilidade e homenagear "as suas trajetórias, resistências e conquistas".
Para apresentar o estudo foram convidadas realizadoras que "simbolizam cinco décadas" de animação nacional e têm histórias pessoais para partilhar sobre o trajeto do setor desde 1976: Cátia Peres, Marina Estela Graça, Regina Pessoa, Alice Guimarães, Marta Andrade e Carina Corso.
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