Cabo Verde quer cabo-verdianos a materializar sonhos no país
O Governo de Cabo Verde quer criar condições para que os cabo-verdianos possam "materializar os seus sonhos" no país e não no estrangeiro, afirmou hoje, em Lisboa, o primeiro-ministro, apontando o emprego como o "maior projeto social".
Francisco Carvalho falava aos jornalistas à margem da mesa-redonda "Cabo Verde e Portugal: Conhecimento, Mobilidades e Futuro", que hoje decorreu na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH), no âmbito de uma visita oficial a Portugal que inclui encontros com a diáspora.
O primeiro-ministro garantiu que ouvir os emigrantes faz parte do trabalho governativo, já que as políticas públicas devem refletir "as reivindicações, os sonhos das pessoas".
Francisco Carvalho sublinhou que as pessoas deixam o seu país "por razões subjetivas e pessoais", que não podem ser evitadas, mas acrescentou que "há um espaço de intervenção do Estado".
"O Estado pode melhorar as condições nos contextos de origem, o Estado pode criar condições para que o indivíduo comece a acreditar, ver que é possível materializar os sonhos no contexto de origem, e é por aí que nós poderemos então pensar em reter as pessoas (...) nos nossos países", afirmou.
O chefe do Governo deu como exemplo o acesso gratuito à universidade pública em Cabo Verde, defendendo que a possibilidade de formação no país, para quem não tem condições de estudar no estrangeiro, contribui para que saiam menos jovens e mantenham a esperança de que é possível "materializar os sonhos no próprio país".
"É por aí que nós vamos estar a trabalhar. Criar condições em Cabo Verde para que quem quiser ficar em Cabo Verde possa ficar e concretizar os seus sonhos e que os cabo-verdianos não continuem a ver que a única forma de materializar os seus sonhos tem de ser no estrangeiro", disse.
Sobre a criação de emprego, sublinhou que o Estado deve facilitar a criação de emprego pelo setor privado para que os jovens possa ter essa possibilidade de materializar os seus sonhos em Cabo Verde", sendo este "o maior projeto social" que o executivo quer implementar.
O primeiro-ministro promete também empenho na questão da habitação: "É preciso garantir que haja habitação digna, em quantidade e em qualidade suficiente, porque a questão da habitação lá está, é mais um sonho. Muitas vezes as pessoas saem em busca precisamente da materialização desse sonho".
Um estudo divulgado no final de julho pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicou que cerca de 65% dos jovens inquiridos manifestaram, em 2025, a intenção de emigrar, principalmente devido à procura de emprego e de melhores salários.
Dados recentes apontam também para um aumento da mobilidade entre Cabo Verde e a Europa.
Segundo os serviços consulares da embaixada de Portugal, o número de pedidos de vistos (Schengen e nacionais) cresceu 62% em 2025 face a 2023, enquanto os vistos com fins laborais atingiram 6.894 no último ano.
Na mesma sessão, o reitor da Universidade NOVA de Lisboa, Paulo Pereira, sublinhou que esta é também a universidade do primeiro-ministro cabo-verdiano – que aqui fez a sua licenciatura em sociologia - e destacou que Cabo Verde é a sétima nacionalidade estrangeira mais representada na NOVA, com quase 70% de mulheres.
O reitor manifestou a intenção de projetar a cooperação para o futuro, através de uma relação consistente com as instituições de ensino superior cabo-verdianas, em especial a Universidade de Cabo Verde, destacando que, no ano passado, houve 104 registos de mobilidade de estudantes, docentes e profissionais entre a NOVA e instituições de Cabo Verde.
O primeiro-ministro incentivou ainda os cabo-verdianos a participarem "em massa" nas eleições presidenciais do próximo dia 15 de novembro.
"Todos nós temos de ir votar para podermos exteriorizar e manifestar as nossas escolhas e, através dessa manifestação, através desse voto, participar diretamente na construção do futuro de Cabo Verde", apelou.
As eleições presidenciais em Cabo Verde estão marcadas para 15 de novembro, com uma eventual segunda volta a 29 de novembro. O Tribunal Constitucional admitiu cinco candidaturas, incluindo a do atual Presidente, José Maria Neves, que termina o primeiro mandato.
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