CDU pede auditoria à Indaqua na Feira após lucro de 9 milhões em 2025
A CDU de Santa Maria da Feira exigiu hoje uma auditoria ao contrato de exploração da rede de água e saneamento entre a autarquia e a empresa Indaqua, que registou lucros de nove milhões de euros em 2025.
A coligação entre PCP e Partido Ecologista Os Verdes justifica essa reivindicação com as dúvidas geradas por sucessivos aditamentos ao contrato de concessão entre a empresa e a referida autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.
"Para a CDU, este acordo deve ser auditado, para se avaliar a legalidade do contrato inicial, o cumprimento das obrigações da Indaqua e os aditamentos que prorrogaram a concessão para 50 anos, até 2047", defende.
O alerta da coligação surge na sequência do relatório de contas de 2025 da Indaqua Feira, atendendo a que, "durante mais de duas décadas, a empresa apresentou prejuízos, com o erário público a assumir a sua estabilidade", mas, agora, registou "um lucro superior a nove milhões de euros, distribuído pelos acionistas" – entre os quais não se inclui a Câmara da Feira.
O problema, diz a CDU, é que, enquanto a Indaqua partilha os lucros proporcionados pelo município, os utentes locais "continuam a pagar uma das tarifas mais altas do país: o indicador de acessibilidade económica é de 0,52% para os feirenses, bem acima da média nacional de 0,32%".
Notando que as autarquias cuja água está sob gestão pública "praticam tarifas mais acessíveis", como acontece no Seixal, a coligação reclama o fim da concessão de água, saneamento e resíduos sólidos entre a Câmara da Feira e a Indaqua.
"A CDU exige a reversão deste contrato, devolvendo-se a gestão destes serviços essenciais à esfera pública e autárquica", afirmam no comunicado.
E, salientando que "a água doce é um bem escasso, precioso e insubstituível", a CDU diz não entender "a água de outra forma que não seja como bem público – nunca como mercadoria".
Recorda ainda que a água se tornou "apetecível para os grandes senhores do dinheiro, que tudo querem transformar em comércio e lucro", a CDU defende assim que "só o setor público pode e deve garantir o acesso de todos à água e assegurar a sua qualidade".
Questionada pela Lusa, a Indaqua Feira não quis comentar a posição da CDU sobre o tema.
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