Chega questiona escolha de Tancos em vez de Beja para escola de pilotos
O Chega criticou a escolha de Tancos para acolher uma escola de pilotos, no âmbito do processo de privatização da TAP, e anunciou que vai exigir ao Governo que apresente os "critérios" desta escolha em detrimento de Beja.
O Governo selecionou, na quarta-feira, a Lufthansa para a privatização parcial da companhia aérea TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A proposta da empresa alemã prevê um investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no distrito de Santarém, com o Governo a admitir que a pista deste aeródromo militar poderá vir a ter uso civil.
Num comunicado enviado hoje à agência Lusa, o deputado do Chega eleito por Beja, António Carneiro, afirmou que "há decisões políticas difíceis de compreender", por constituírem "verdadeiras afrontas a regiões que há demasiado tempo esperam por oportunidades de desenvolvimento".
"A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, é uma decisão que merece uma explicação séria aos habitantes do distrito de Beja", frisou.
Beja, lembrou, "já dispõe de um aeroporto operacional, com uma pista de 3.450 metros, preparado para receber operações civis e militares", e "tem condições meteorológicas favoráveis, extensas áreas disponíveis e condições de espaço aéreo que constituem vantagens importantes para a formação aeronáutica".
A par disso, indicou, a região conta com "décadas de experiência na formação e treino de pilotos militares, inclusivamente alemães, na Base Aérea n.º 11".
Estão ainda estabelecidas em Beja várias empresas do setor aeronáutico, nomeadamente a MESA, "com investimentos na manutenção de aeronaves, incluindo um projeto anunciado de 60 milhões de euros", acrescentou.
O parlamentar afirmou que o Baixo Alentejo "não pode continuar a ser lembrado apenas nos discursos sobre desertificação, envelhecimento e falta de oportunidades" e, por isso, vai exigir que o Governo "apresente os critérios desta escolha e uma comparação rigorosa entre Tancos e Beja".
António Carneiro quer ainda saber que avaliação técnica demonstrou que Tancos é uma solução melhor do que Beja e quanto custaria instalar esta escola em cada uma das infraestruturas.
"O Aeroporto de Beja não pode continuar a ser uma infraestrutura com enorme potencial, mas sem uma estratégia nacional suficientemente ambiciosa para a aproveitar", concluiu.
Também a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), que integra 13 dos 14 concelhos do distrito de Beja (Odemira é a exceção), manifestou publicamente, na quinta-feira, "o seu desagrado e a oposição" à escolha de Tancos para receber a nova escola de pilotos.
"A opção do Governo configura mais uma forte desconsideração pelo Baixo Alentejo e, evidentemente, mais um contributo para desvalorizar estrategicamente e de forma clara o Aeroporto de Beja", argumentou o presidente da CIMBAL, António José Brito (PS).
A decisão de privatização parcial da TAP foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa.
Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros, ou 16%, à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.
Segundo a apresentação do Governo, a proposta da Lufthansa prevê um encaixe potencial de 1.201 milhões de euros pela alienação de até 49,9% da TAP, incluindo a parcela de 5% reservada aos trabalhadores e os ajustamentos financeiros previstos. Caso esta parcela não seja subscrita, o vencedor da privatização terá direito preferencial.
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