Compra apartamento em leilão e encontra corpo em decomposição da ex-dona
Uma mulher encontrou um corpo em elevado estado de decomposição no quarto do apartamento que comprou em leilão, em Patos de Minas, na região brasileira de Alto Paranaíba, na quinta-feira. Suspeita-se que o cadáver seja da antiga proprietária, que estaria morta há mais de um ano.
Kalina Poliana contou ao g1 que, depois de ter adquirido o imóvel, obteve autorização do filho da antiga proprietária para lá entrar com a ajuda de um serralheiro. No interior, deparou-se com um corpo em cima de uma cama, tapado por um cobertor.
“Foi muito complicado, fiquei muito abalada. Já tinha falado com o filho da proprietária e ele disse-me que ela tinha desaparecido, que tinha arranjando um suposto namorado e ia viver com o rapaz em Varjão de Minas”, adiantou a mulher, que assinalou que outros familiares da vítima também lhe disseram terem perdido contacto com ela.
O apartamento estava completamente fechado – mas limpo e em bom estado – e os vizinhos não sentiram qualquer cheiro. A própria Kalina asseverou que, ao entrar na casa, também não se apercebeu de qualquer odor. No quarto, cuja porta estava fechada, a mulher viu um volume em cima da cama, tapado com um cobertor e com almofadas ao lado.
"Ela tinha um cobertor em cima dela. Parecia que tinha alguém se tinha deitado a dormir na cama", disse.
A compradora pediu ao serralheiro para que verificasse o interior do quarto, e foi ele quem confirmou que estava um cadáver em cima da cama. Kalina ficou de tal forma abalada, que teve de ser o trabalhador a acionar as autoridades.
Foram ainda encontradas várias cartas junto ao corpo, que detalhavam de que forma é que a mulher queria ser sepultada e que roupa usaria. A par disso, as missivas adiantavam que o serviço fúnebre já estava pago e que a chave do imóvel seria para o filho da vítima.
A responsável pela empresa Chave7 & Sousa, que trata da assessoria dos arrematantes por detrás do leilão, explicou que a venda acontece sem uma vistoria prévia. Neste caso, o apartamento foi leiloado depois de a proprietária ter deixado de pagar o financiamento do imóvel.
“No caso, a devedora poderia pagar a dívida em 15 dias, conforme a lei. Então, a Caixa notificou-a e ela poderia pagar essa dívida para encerrar ali o processo”, indicou Vanilda Sousa ao g1.
Já a advogada Lahra Lopes deu conta de que a equipa jurídica entrará com uma ação para tentar anular o leilão, uma vez que a nova proprietária manifestou o desejo de cancelar a aquisição do imóvel.
Neste momento, a equipa aguarda o resultado da autópsia do Instituto Médico Legal (IML), por forma a apurar a data aproximada da morte.
“Temos de verificar se a antiga proprietária ainda estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que já tinha morrido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes da morte, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria”, esclareceu a advogada.
Não havia sinais de violência ou de arrombamento no apartamento. A Polícia Civil está a investigar.
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