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Críticas à PSP chegam ao PSD e CDS: Ex-dirigentes condenam atuação

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 6 min de leitura
Críticas à PSP chegam ao PSD e CDS: Ex-dirigentes condenam atuação

As intervenções policiais junto de manifestantes pelo direito à habitação, tanto no Porto como em Lisboa, estão a ser criticadas até por personalidades na órbita partidária do Governo, como antigos ministros e dirigentes do PSD e um antigo líder do CDS.

 

Sublinhe-se que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais para fazer uma "avaliação dos procedimentos adotados".

Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do Ambiente de um Governo PSD e atual diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), criticou a intervenção policial sobre os manifestantes concentrados em Lisboa e no Porto pela defesa do direito à habitação. 

"Esta carga policial contra protestos pacíficos de jovens em Lisboa e no Porto, além de injustificável à luz da tolerância, da empatia e dos direitos humanos, é um tremendo erro dos decisores", considerou o ex-vice-presidente do PSD, que disputou a liderança do partido com o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, em 2022, numa rara publicação sobre a política nacional feita na rede social X.

"É disto que se alimenta o populismo, a radicalização e a descrença na política", alertou o ex-ministro do Ambiente em funções entre 2013 e 2015.

Também André Coelho Lima, antigo deputado à Assembleia da República e antigo vice-presidente do PSD, recorreu às redes sociais para deixar duras críticas às intervenções policiais no Porto e em Lisboa. 

O ex-deputado considerou que "a intervenção das forças de segurança orienta-se pelo cumprimento dos princípios da necessidade, proporcionalidade e adequação". "A primeira intervenção na Praça D. João I, havia sido totalmente desnecessária, desproporcionada e desadequada", afirmou. 

"Pelos vistos, não comoveu os espíritos nacionais. A de ontem, na Praça do Rossio, foi igualmente desnecessária, desproporcionada e desadequada face aos critérios de segurança que se visa salvaguardar", continuou. 

O advogado de profissão afirmou estar "em total oposição com uma intervenção que, numa palavra, é pouco inteligente". "Mas também o estive quando ela sucedeu no Porto - e até com maior violência - embora na altura não obtivesse tanta comoção 'nacional'", concluiu. 

Já o antigo ministro da Justiça do PSD, Fernando Negrão, admitiu ter uma "enorme dificuldade" em perceber o que é que levou  a PSP a agir contra os manifestantes das acampadas pelo direito à habitação.

Numa entrevista à Renascença, o também antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ) considerou que o primeiro-ministro tem de explicar a atuação da polícia nas manifestações de Lisboa e Porto em defesa do direito à habitação.

"Este é o momento de o primeiro-ministro intervir, uma vez que ainda não disse uma palavra sobre o que se passa relativamente às manifestações e à atuação da PSP e à atuação dos manifestantes", defendeu o social-democrata, lamentando o decurso dos acontecimentos.

"Confesso que eu tenho uma enorme dificuldade em conseguir perceber o que é que aconteceu, porque que é que a PSP agiu desta forma, como é que se processou na estrutura hierárquica da PSP, quem tomou as decisões, que tipo de ordens é que foram dadas", afirmou Negrão.

O ex-governante acredita que a intervenção policial terá tido "natureza política, porque houve um ministro, que é um ministro da tutela, que se pronunciou sobre esta situação".

O antigo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, apontou também o dedo ao Executivo de Luís Montenegro. 

"Primeiro, mentimos-lhes. Ensinámos-lhes que se estudassem e trabalhassem, teriam uma vida melhor. Quando chegou a vez deles de subir na vida, o elevador social avariou. Ficaram à porta", pode ler-se numa publicação partilhada no Instagram. 

E acrescentou: "Depois roubámos-lhes anos de vida. Uma casa adiada é uma vida adiada. É um Lar, uma família e um futuro que não se constroem. Então, eles manifestarem-se pacificamente, porque se a ordem é esta, então merece ser questionada". 

Para o ex-líder do CDS, "em resposta, o Governo preferiu acusar em vez de empatizar". "Desviar o tema da habitação para a segurança. Acicatar o clima para justificar a brutalidade da força. Por fim, usar o bastão sem justificação", salientou.

"A resposta às falhas do Estado Social não pode ser o Estado Policial. Até porque a repressão escala a contestação. A solução é o diálogo político e a renovação da esperança", disse. 

Para concluir, Francisco Rodrigues dos Santos fez também referência ao atraso de uma hora nos relógios durante a madrugada de sábado para domingo e sublinhou: "Afinal, parece que recuaram 53 anos".

Saliente-se que o PSD, partido do Governo, defendeu a atuação policial, pela voz de Sebastião Bugalho, que defende uma atuação, a seu ver, com "proporcionalidade e no enquadramento legal que se presume que aconteça para proteger o direito à manifestação". Da parte do Governo, tanto o ministro da Administração Interna como o ministro da Presidência já vieram a público defender a ação da polícia como necessária e legítima. Só ainda não se manifestou o próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro.

No caso de António José Seguro, que comentou a crise da habitação em dois momento, no passado dia 15 e no dia 19, também se tem mantido em silêncio quanto à intervenção da PSP no Porto e em Lisboa.

"Quem cala, consente"? Como interpretar o silêncio de Montenegro?

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, tem-se mantido em silêncio relativamente às manifestações pela habitação, que acontecem já há mais de duas semanas. O episódio que ocorreu na madrugada de sábado tem gerado várias reações entre figuras do meio político e não só, incluindo com pedidos de reação - não só ao primeiro-ministro, como também ao Presidente da República.

Maria Gouveia | 18:00 - 26/10/2026

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