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Defesa de Quintanilha pede que Nuno Ribeiro e ex-ciclistas não testemunhem

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Minuto Fonte Externa
16 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Defesa de Quintanilha pede que Nuno Ribeiro e ex-ciclistas não testemunhem

A defesa de Adriano Quintanilha requereu hoje que Nuno Ribeiro e ex-ciclistas W52-FC Porto não testemunhem no julgamento sobre o código de conduta, por também serem arguidos no processo Prova Limpa, como o seu constituinte.

 

Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ), Adriano Quintanilha e a Associação Calvário Várzea – que esteve na origem da W52-FC Porto - começaram hoje a ser julgados no Tribunal local de Felgueiras, distrito do Porto, por, segundo o Ministério Público (MP), gizarem um plano para que o empresário não fosse incriminado no esquema de doping da extinta equipa de ciclismo W52-FC Porto.

O MP sustenta que Quintanilha e o inspetor da PJ "decidiram criar" um código de conduta falso, visando atestar que o empresário e a Associação Calvário Várzea, da qual era presidente, desconheciam o esquema de doping investigado no processo Prova Limpa.

Ao início da tarde, o defensor de Adriano Quintanilha apresentou um requerimento ao juiz, subscrito pelas advogadas do inspetor da PJ e da Associação Calvário Várzea, Susana Mourão e Maria Amaral Jorge, respetivamente, para que "declare impedidas de depor como testemunhas" neste processo 11 das 13 testemunhas arroladas pelo MP.

As testemunhas em causa são o antigo diretor desportivo Nuno Ribeiro e 10 ex-ciclistas da W52-FC Porto: Ricardo Mestre, João Rodrigues, Samuel Caldeira, Rui Vinhas, Ricardo Vilela, José Neves, Daniel Mestre, Jorge Magalhães, José Gonçalves e Joni Brandão.

"Todos são coarguidos do arguido Adriano Sousa (Quintanilha) e da arguida Associação [Calvário Várzea] no processo" Prova Limpa, sobre doping na equipa W52-FC Porto, disse o advogado Mário Santos Paiva, acrescentando que o processo "não se encontra findo".

Para o advogado de Quintanilha, ambos os processos "são conexos" e, nos termos da lei, "os coarguidos em processos conexos estão impedidos de depor como testemunhas enquanto mantiveram essa qualidade".

Nesse sentido, o juiz determinou a interrupção do julgamento para solicitar documentação que prove, formalmente, de que se tratam efetivamente de coarguidos no processo Prova Limpa e se o mesmo ainda não transitou em julgado.

O juiz agendou para as 14:00 de 26 de outubro a continuação do julgamento.

Em 24 de setembro deste ano, o Tribunal da Relação do Porto (TRP) ordenou a repetição do julgamento do processo de doping da extinta W52-FC Porto, denominado de Prova Limpa, pedindo à primeira instância que reformule o acórdão, por serem prova ilegal as declarações de Nuno Ribeiro prestadas através da leitura de um escrito.

O acórdão do TRP surge na sequência do recurso interlocutório interposto pelas defesas de Quintanilha e da Calvário Várzea, que sustentava ser um meio de prova ilegal o depoimento em audiência de julgamento do então diretor desportivo da equipa de ciclismo, que leu um documento previamente preparado.

Neste momento, aguarda-se que o processo regresse ao Tribunal de Penafiel (tribunal de primeira instância) para que seja agendada data para a reabertura do julgamento do processo Prova Limpa.

Em 12 de dezembro de 2025, no primeiro acórdão, o Tribunal de Penafiel condenou Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro a penas efetivas de quatro anos e nove meses no âmbito deste processo, com 26 arguidos, incluindo ex-ciclistas.

O tribunal de primeira instância concluiu que Quintanilha foi um dos "elementos que engendrou o plano inicial" de doping no seio da W52-FC Porto, acrescentando que o patrão da equipa, entretanto extinta, tinha a decisão final sobre os pagamentos das substâncias e métodos dopantes.

João Rodrigues, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, José Neves, Ricardo Vilela, Joni Brandão, José Gonçalves, Jorge Magalhães e André Freitas, ex-ciclistas da W52-FC Porto, julgados por tráfico de substâncias e métodos proibidos, foram todos condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio.

Julgamento W52-FC Porto. Inspetor da PJ e Quintanilha em silêncio

Um inspetor da PJ e Adriano Quintanilha, acusados de planos para evitar incriminação no esquema de doping da W52-FC Porto, remeteram-se ao silêncio no início do julgamento.

Lusa | 14:39 - 16/10/2026

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