Dezenas de milhares reunidos no centro de Telavive para exigir mudança
Dezenas de milhares de pessoas reuniram-se hoje à noite no centro de Telavive para exigir uma mudança nas próximas legislativas em Israel, num evento que contou com a presença de Gadi Eisenkot, favorito nas sondagens.
Além do ex-chefe das forças armadas e líder do partido de centro-direita Yashar!, os principais dirigentes de outras forças da oposição do chamado bloco da mudança também compareceram na praça dos Reféns, incluindo Naftali Bennett e Yair Lapid, da coligação Juntos, Avigdor Lieberman, do partido Israel é a Nossa Casa, e Yair Golan, da aliança de centro esquerda Democratas.
A manifestação foi organizada pelo Conselho de Outubro, um movimento que reúne famílias das vítimas dos ataques do grupo islamita Hamas, em 2023, e que reclama uma comissão de inquérito independente sobre o dia mais sangrento da história de Israel, até agora recusada pelo primeiro-ministro e líder do partido Likud, Benjamin Netanyahu.
A organização estimou que cerca de cem mil pessoas estiveram no local, segundo a imprensa israelita.
Entre uma multidão apinhada empunhando bandeiras de Israel e palavras de ordem como "salvem a democracia", a concentração tornou-se também num movimento político de apoio ao bloco de oposição nas legislativas de 27 de outubro.
À chegada ao local, Gadi Eisenkot foi recebido com saudações ao "próximo primeiro-ministro", embora, segundo as sondagens, nem o seu partido nem os principais grupos de oposição consigam uma maioria de 61 lugares para controlar o Knesset (parlamento), a não ser que agrupem as duas forças árabes concorrentes.
Antes da concentração, o antigo general, que se posicionou como o favorito para destronar o atual Governo de coligação do Likud com a extrema-direita, afirmou aos jornalistas que "70% dos israelitas defendem uma comissão de inquérito" aos acontecimentos do 07 de Outubro.
"Não vamos desistir, mesmo que demore alguns meses ou anos, mas vamos fazê-lo e queremos saber quem foi responsável e quem foi a pessoa que não evitou que isto acontecesse. E, claro, nunca deixaremos que isto volte acontecer", declarou.
A coligação Democratas promoveu outro expressivo comício hoje à noite na praça Yitzhak Rabin, no centro de Telavive, que depois se juntou à manifestação do Conselho de Outubro, na Praça dos Reféns.
O líder da coligação, que segue em terceiro lugar nas sondagens, elegendo nove ou dez deputados, destacou a necessidade de um Governo que afaste Netanyahu para alterar o rumo de Israel e restaurar "a segurança, a confiança e a esperança", bem como fortalecer a democracia.
Yair Golan assinalou também a importância de "separar a religião do Estado", em alusão a recentes aprovações controversas no Knesset e à isenção militar dos judeus ultraortodoxos, cujos partidos apoiam o atual Governo no parlamento.
O político israelita apelou também para o fim do "derramamento de sangue, tanto judaico quanto palestiniano", refletindo um dos temas essenciais da coligação, a única das principais forças partidárias que apoia abertamente a criação do Estado da Palestina.
Durante a manifestação do Conselho de Outubro, vários familiares de vítimas e reféns do 07 de Outubro discursaram, num grande palco, ladeado por ecrãs gigantes, e exigindo que a verdade seja apurada numa comissão de inquérito.
"O Governo não assume a responsabilidade. Pelo contrário, faz de tudo para impedir o que é mais básico: uma comissão estatal de inquérito", lamentou Viki Cohen, citada na imprensa israelita, cujo filho Nimrod foi raptado naquela manhã de 2023 e libertado há um ano, no âmbito do cessar-fogo alcançado com o Hamas na Faixa de Gaza.
A mãe do antigo refém acusou o Governo de enviar o seu filho para lutar por Israel, "ao mesmo tempo que financiava o Hamas e os túneis nos quais foi mantido".
A manifestação ocorre um dia depois de dois soldados israelitas e dois palestinianos terem sido mortos durante uma grande operação em Hebron, no sul da Cisjordânia, incluindo buscas e a demolição de edifícios, justificada para "localizar e desmantelar instalações terroristas" e com a duração de vários dias.
A três dias das eleições decisivas, Benjamin Netanyahu anunciou outra operação em grande escala na Cisjordânia, "como não se vê desde a Guerra dos Seis Dias", em 1967, sem precisar datas mas que "está a caminho".
O primeiro-ministro, que tem baseado a sua mensagem na proteção dos israelitas e projeção da força do país no Médio Oriente desde os ataques liderados pelo Hamas, avisou também os seus cidadãos para se prepararem para sanções internacionais, reconhecendo uma pressão crescente do seu principal aliado, Estados Unidos, devido à violência na Cisjordânia.
[Notícia atualizada às 21h41]
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