Em dia de eleições, Israel vai impor bloqueio à Cisjordânia. Porquê?
Israel vai impor um bloqueio à Cisjordânia no dia das eleições legislativas, terça-feira, disse hoje o exército israelita, que iniciou uma operação no território ocupado, forçando quase 2.200 palestinianos a sair de Hebron.
Num comunicado, o exército informou que "a esfera política aprovou a proibição de entrada e saída de trabalhadores palestinianos em toda a Judeia e Samaria [nome israelita para a Cisjordânia] e no Vale do Jordão, incluindo zonas industriais, bem como o encerramento de todos os postos de controlo terrestres durante todo o dia das eleições", na terça-feira.
O exército lançou na sexta-feira, no sul da Cisjordânia, uma operação militar em retaliação pela morte de dois soldados, atacados por homens armados.
De acordo com dados das autoridades locais de Hebron, 2.193 pessoas foram registadas como expulsas e deslocadas por ordem do exército israelita e os acessos à cidade mantêm-se bloqueados.
Os deslocados representam 344 famílias, das quais 140 dizem não ter nenhum outro local alternativo para se alojar.
Segundo a imprensa palestiniana, as tropas israelitas estão a marcar os edifícios de onde foram expulsos os moradores, suspeitando-se que façam parte do plano de demolição de habitações em duas zonas da cidade.
Após o ataque, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou o "bloqueio total" da Cisjordânia e o início de uma operação militar, incluindo a retirada forçada de residentes palestinianos.
Na sexta-feira, dois soldados israelitas foram mortos num ataque na Cisjordânia ocupada, no qual morreram também dois palestinianos suspeitos de dispararem contra os militares.
O ataque ocorreu perto da cidade de Hebron e o exército israelita afirmou ter evitado um "ataque terrorista contra civis israelitas".
O ministro da Defesa de Israel afirmou que o ataque de sexta-feira foi levado a cabo "por uma célula do [movimento fundamentalista islâmico] Hamas a partir de um bairro da cidade de Hebron".
"Ordenámos a evacuação imediata deste bairro. Cerca de duas mil pessoas foram retiradas", acrescentou Israel Katz à televisão pública israelita.
Estes residentes "não terão permissão para regressar enquanto não terminarmos de resolver todos os problemas relacionados com o Hamas em Hebron", acrescentou.
A operação israelita abrange, para já, um terço da cidade, estima o governador de Hebron, Khaled Dudin, em declaração à agência de notícias France-Presse.
"Começaram pelo bairro de onde eram os autores do ataque, mas não temos qualquer garantia de que a operação não se estenda", acrescentou, denunciando um "castigo coletivo" contra civis inocentes.
A Autoridade Palestiniana, que na sexta-feira foi alvo de uma ameaça de Netanyahu sobre uma "grande surpresa" que se avizinha, solicitou no sábado à comunidade internacional que exerça pressões sobre Israel que vão além das simples condenações.
Face "às crescentes ameaças de deslocação populacional e de destruição, é necessária uma ação internacional urgente", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Palestina, apelando à adoção de "medidas concretas e dissuasoras".
Leia Também: Operação na Cisjordânia forçou saída de 2.200 palestinianos
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