"Espero que Trump se torne uma memória e que americanos aprendam"
O escritor canadiano Yann Martel considerou hoje que há um problema disfuncional na democracia dos Estados Unidos, que os americanos vão ter de resolver elegendo um presidente mais competente.
"Espero que Donald Trump se torne rapidamente uma memória e que os americanos aprendam com essa memória", afirmou Yann Martel, considerando que "é fácil demonizar" o presidente dos Estados Unidos, mas "é preciso pensar em quantas pessoas votaram nele".
Numa mesa do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, o autor de "A Vida de Pi" considerou haver "um problema disfuncional na democracia americana", país onde "o sistema educativo sofre de falta de financiamento", e onde "os americanos não conseguem arranjar emprego", ou seja, "há uma razão para estarem zangados".
Porém, defendeu, "Trump não é a solução certa" e, em próximas eleições, os americanos "terão de encontrar pessoas mais competentes, capazes de resolver esses problemas".
A opinião foi partilhada pelo escritor norte-americano Michael Cunningham, autor de "As Horas", que protagonizou com Martel uma mesa de autores em que ambos falaram de memórias, tema comum às suas mais recentes obras.
Para Michael Cunningham a primeira memória, aos três anos, traduz a marca de não saber dizer a palavra "Tupperware", enquanto Yann Martel lembra o dia em que sonhou ver "uma aranha" por cima da cabeça.
Os dois autores partilham ainda o facto de os seus livros mais conhecidos terem sido escritos há mais de duas décadas: no caso de Cunningham, "As Horas" (1998); de Martel, "A Vida de Pi" (2001).
Ambos possuem, no entanto, uma obra mais ampla, e alguns dos seus livros estão publicados em Portugal.
Michael Cunningham, autor de romances, contos e guiões, conquistou os prémios PEN/Faulkner e Pulitzer exatamente por "As Horas", mas a sua bibliografia inclui títulos como "Dias Exemplares", "Sangue do Meu Sangue", "Ao Cair da Noite", "A Rainha da Neve", "Dia" e "Um Cisne Selvagem e Outros Contos", todos publicados em Portugal pela Gradiva, assim como "Uma Casa no Fim do Mundo", romance de estreia do escritor (1990), que deverá regressar às livrarias portuguesas na próxima semana, em nova edição.
Yann Martel, vencedor do Man Booker Prize por "A Vida de Pi", tem também editados em Portugal, pela Presença, os romances "Beatriz e Virgílio" e "As Altas Montanhas de Portugal", obra com que atravessa o tempo e a paisagem acidentada de Trás-os-Montes. É ainda autor de "Self", que antecedeu a sua obra mais conhecida, e de "101 Letters to a Prime Minister", com que se afastou da ficção.
"Son of Nobody", publicado este ano, é o seu mais recente romance.
O Folio – Festival Literário de Óbidos decorre até domingo, sob o lema "Para além da pele", trazendo à vila do distrito de Leiria 450 autores que, durante 11 dias, participam em cerca de 300 iniciativas.
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Lusa | 18:06 - 16/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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