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EUA? Secretário-geral Ibero-Americano espera impacto em política externa

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Minuto Fonte Externa
4 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
EUA? Secretário-geral Ibero-Americano espera impacto em política externa

O secretário-geral da comunidade ibero-americana disse hoje esperar mudanças na política externa dos EUA, depois da vitória do Partido Democrata nas eleições norte-americanas de meio de mandato de terça-feira.

 

"O Governo dos Estados Unidos tem sido muito importante nos últimos anos no que diz respeito às mudanças que se estão a produzir no cenário internacional e, consequentemente, penso que o resultado da eleição vai ter de facto efeitos nessa política externa neste mundo em reconfiguração", disse Andres Allamand.

Andrés Allamand considerou que todo este contexto e as eleições norte-americanas tornam "obviamente ainda mais importante a comunidade ibero-americana como ator internacional de peso, de envergadura".

"Por isso, vamos seguir com muita atenção a evolução que vai ter, penso eu, a política externa norte-americana nos próximos tempos", acrescentou.

O secretário-geral Ibero-Americano falava a jornalistas em Madrid, momentos antes do início de uma reunião dos 22 ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) de todos os países que integram a comunidade ibero-americana, de que faz parte Portugal.

A reunião de MNE antecede o arranque formal, hoje ao final da tarde, em Madrid, da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, em que Portugal estará representado pelo Presidente da República, António José Seguro, e pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.

A cimeira é organizada pelo Governo espanhol e pela Secretaria-Geral Ibero-Americana.

"Esta é a cimeira da reafirmação" da comunidade ibero-americana, considerou Andrés Allamand, que sublinhou que vai sair de Madrid uma nova estratégia de cooperação entre os países membros, sendo cooperação o "conceito matriz" que está na base deste fórum multilateral.

A reunião de hoje dos MNE pretende fechar os acordos que o plenário da cimeira deverá ratificar na quinta-feira.

Segundo Andrés Allamand, este encontro de Madrid terá "talvez o conjunto mais importante de resultados" das cimeiras ibero-americanas.

O MNE espanhol, Jose Manuel ALbares, por seu turno, sublinhou também o "forte conteúdo" desta cimeira e a participação de "grande êxito" quando comparada as anteriores, como a do Equador, em 2024, em que só estiveram quatro chefes de Estado e de Governo.

"Aqui não há cadeiras vazias", disse Albares, que realçou que todos os 22 MNE da comunidade estão presentes hoje em Madrid, que 10 países se fazem representar por chefes de Estado e de Governo e outros três enviaram os vice-presidentes.

As ausências em relação a chefes de Estado devem-se todas a "situações internas" que os impedem de ir a Madrid, afirmou, depois de questionado sobre o facto de os Presidentes dos dois maiores países da comunidade, Brasil e México, não estarem na cimeira.

ALbares reiterou também a intenção de voltar a haver uma declaração final conjunta da cimeira, em que os estados-membros "continuam a trabalhar e a avançar".

A 30.ª Cimeira Ibero-Americana arranca formalmente hoje ao final da tarde, com uma "cerimónia de inauguração" e um jantar no Palácio Real de Madrid que terão o chefe de Estado e o líder do Governo de Espanha, Felipe VI e Pedro Sánchez, respetivamente, como anfitriões.

Os portugueses António Costa (presidente do Conselho Europeu) e António Guterres (secretário-geral das Nações Unidas) são os convidados especiais da cimeira.

O plenário da cimeira está previsto para quinta-feira de manhã e o Governo espanhol espera que sejam fechados e ratificados "cinco grandes resultados", materializados em vários acordos, como o que cria a rede ibero-americana de redução do risco de desastres e proteção civil, uma proposta apresentada por Portugal.

Deverá ainda sair da cimeira uma "aliança ibero-americana para a Inteligência Artificial", um acordo para a "mobilidade académica", outro sobre cuidados e apoio social a pessoas idosas e com necessidades específicas e uma nova estratégia de cooperação entre os países ibero-americanos, que visa atualizar a anterior e colocar ênfase na "cooperação triangular e na cooperação sul-sul".

As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e Portugal propôs ser o anfitrião da de 2030, que se seguirá à de 2028, nas Honduras.

A comunidade é composta por três países europeus (Portugal, Espanha e Andorra) e 19 latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana).

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