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Ex-ministro do PSD Jorge Moreira da Silva critica intervenção policial

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Ex-ministro do PSD Jorge Moreira da Silva critica intervenção policial

O dirigente nas Nações Unidas e ex-ministro do PSD Jorge Moreira da Silva criticou hoje a intervenção policial desta madrugada sobre os manifestantes concentrados em praças de Lisboa e Porto, em defesa do direito à habitação.

 

"Esta carga policial contra protestos pacíficos de jovens em Lisboa e no Porto, além de injustificável à luz da tolerância, da empatia e dos direitos humanos, é um tremendo erro dos decisores", considera o diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS, na sigla em inglês) e ex-vice-presidente do PSD, que disputou a liderança do partido com o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, em 2022, numa rara publicação sobre a política nacional feita na rede social X.

"É disto que se alimenta o populismo, a radicalização e a descrença na política", alerta o ex-ministro do Ambiente no governo social-democrata entre 2013 e 2015.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou hoje de madrugada as manifestações pelo direito à habitação, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para a dispersão e a retirada das tendas montadas pelos manifestantes, que não as acataram alegando que o direito à manifestação está protegido pela Constituição.

De acordo com a PSP, em Lisboa há a registar sete feridos e 31 detidos por desobediência, mas, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos.

"Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela policia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada", lê-se na publicação da Acampada de Lisboa na rede social Instagram.

No Porto, e ainda de acordo com a PSP, a intervenção causou oito feridos, número que a Acampada sobe para 37, dos quais sete em estado grave.

A Acampada do Porto – que começou no dia 10 – foi alvo de uma primeira intervenção policial, que causou perto de 40 feridos, na madrugada de dia 15, depois de nesse dia se terem manifestado cerca de três mil pessoas na Praça D. João I.

Em Lisboa, a Acampada começou no dia 17, a seguir a uma manifestação convocada pela central sindical CGTP e que juntou milhares de pessoas.

Os manifestantes montaram tendas na Praça D. Pedro IV e foram alvo de uma primeira intervenção policial na terça-feira passada. Neste sábado, e depois de uma manifestação que juntou dezenas de milhares de pessoas na Avenida da Liberdade, voltaram a montar tendas.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

A nova lei do arrendamento, aprovada na generalidade na Assembleia da República (com o voto a favor de PSD, IL e CDS-PP e a abstenção do Chega), introduz contratos mais flexíveis e despejos mais céleres.

Leia Também: Casa para Viver condena violência policial e convoca protesto para AR

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