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Governo de Marrocos é empossado com continuidade e novos rostos

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Minuto Fonte Externa
16 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Governo de Marrocos é empossado com continuidade e novos rostos

Fatima Ezzahra El Mansouri, a primeira mulher a chefiar um Governo em Marrocos, viu hoje formalmente empossado o novo executivo de 20 ministros, dois deles mulheres, que combina a continuidade em pastas estratégicas com novos rostos de perfil político.

 

Segundo um comunicado da Casa Real divulgado pela agência noticiosa marroquina MAP, o Governo, que tomou posse no Palácio Real de Rabat, na presença do Rei Mohammed VI, será complementado por 11 ministros delegados, equivalentes a vice-ministros, quatro deles mulheres.

Os principais responsáveis pelas chamadas "pastas de soberania" – Defesa, Administração Interna, Negócios Estrangeiros e Assuntos Religiosos –, que são por norma nomeados pelo Palácio Real, mantêm-se no novo executivo, nomeadamente Nasser Bourita, à frente da diplomacia, e Abdelouafi Laftit, na segurança interna.

El Mansouri foi nomeada por Mohammed VI após a vitória do Partido da Autenticidade e da Modernidade (PAM, liberal) nas eleições legislativas de 23 de setembro e concluiu a formação de uma coligação que integra o partido nacionalista Istiqlal (PI, também parceiro do anterior Governo), a União Socialista das Forças Populares (USFP, que integra a Internacional Socialista), e o Partido do Progresso e do Socialismo (PPS).

Os quatro partidos dispõem, em conjunto, de 207 dos 395 lugares da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do parlamento marroquino.

O PAM ficou com a maioria das pastas ministeriais, incluindo algumas das mais importantes nas áreas económica e da gestão interna, como a Justiça, a Economia e Finanças e a Agricultura.

Uma das principais figuras do PAM é Fouzi Lekjaa, presidente da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) e um dos protagonistas do sucesso do futebol marroquino, que transitou do anterior executivo, onde tutelava a pasta do Orçamento, para o cargo de ministro da Economia e Finanças.

Outra figura do PAM que se mantém no cargo é o ministro da Justiça, Abdelatif Ouahbi, um dos protagonistas do anterior Governo, que reafirmou publicamente a reivindicação histórica de Marrocos sobre as cidades espanholas de Ceuta e Melilla. Durante o anterior mandato, registou-se também uma greve inédita dos advogados do país, que durou mais de três meses.

A nova composição governamental inclui apenas seis mulheres, à frente de pastas como a Energia e a Família, além de outras áreas sob tutela de ministros delegados. Em Marrocos, as mulheres ocupam 27% dos lugares na Câmara dos Representantes.

Alguns observadores disseram à agência noticiosa espanhola EFE que a estrutura do novo Governo "está mais orientada para a eficácia e os resultados, com uma componente política".

O novo executivo herda uma agenda exigente, marcada pela necessidade de sustentar o crescimento económico, responder ao descontentamento dos jovens e acelerar os preparativos para o Mundial de Futebol de 2030, que Marrocos organizará em conjunto com Espanha e Portugal.

Ao mesmo tempo, o executivo terá de responder às reivindicações de uma juventude cada vez mais preocupada com as perspetivas profissionais e sociais. Cerca de três milhões de jovens marroquinos não estudam nem trabalham, uma situação que alimenta o descontentamento e leva uma parte significativa a considerar a emigração como forma de melhorar as condições de vida.

A educação e a saúde figuram também entre as principais questões por resolver e estiveram no centro das reivindicações dos protestos do movimento GenZ212, desencadeados há um ano, num contexto de insatisfação com os serviços públicos, agravado pela morte de oito mulheres grávidas num hospital público do sul do país.

A política externa continuará sob a responsabilidade de Nasser Burita, que ocupa a pasta desde 2017, e manterá o foco no Saara Ocidental. O reconhecimento internacional da proposta marroquina de autonomia para o território continua a ser um dos pilares da estratégia diplomática do país.

As principais decisões nesta área, tal como na Defesa, permanecem estreitamente ligadas à monarquia, cabendo ao Governo traduzir essas orientações em iniciativas diplomáticas, económicas e de cooperação.

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Lusa | 19:13 - 14/10/2026

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