"Governo empenhou-se nos últimos tempos numa campanha de desinformação"
Renata Cambra, a ativista autorizada pelo Tribunal Administrativo de Lisboa a permanecer no Rossio, em Lisboa, depois das 00h30, acusou esta quarta-feira, 4 de novembro, o Governo de estar a fazer uma "campanha de desinformação".
"O Governo empenhou-se nos últimos tempos numa campanha de desinformação", atirou a ativista, que é também professora de português, a partir do Rossio, em Lisboa, onde várias tendas permaneceram montadas, durante a madrugada, sem intervenção das forças de segurança.
Para a docente, tem havido ainda "falta de igualdade de tratamento", face a todas as outras acampadas que aconteceram, o que é "um perigo". E o Executivo, ao individualizar o despacho do tribunal, queria ainda "uma coisa ainda mais grave", que era criar "falta de igualdade de tratamento" entre Renata e todos os outros manifestantes das acampadas, "que são também cidadãos com os seus respetivos direitos".
Renata não tem dúvidas que a decisão do tribunal levou a que a noite de protestos pelo direito à habitação fosse mais pacífica. "Tenho a certeza que sim, mas não deveria ter sido necessário", lamentou, recordando que "muitas pessoas foram agredidas injustamente, perderam bens".
Quanto ao parecer do Tribunal Constitucional, pedido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a porta-voz dos Trabalhadores Unidos realçou que este "vai demorar" e "isso não vai ter aplicabilidade agora, vai servir para resolver uma discussão que se levantou sobre o decreto-lei (de 74) que estava a ser aplicado".
Para Renata "essa nem é a questão". O que verdadeiramente importa "não é não se poder aplicar nunca, é sobre não se poder aplicar sempre".
"Tudo isto é ridículo", campanha "para não discutir medidas da habitação"Questionada se considera a decisão do tribunal "uma vitória" contra a ação do Governo, é categórica: "Sim, é uma vitória a uma campanha que foi repressiva via polícia, uma repressão política, mais uma vez para não estarmos a discutir as medidas da habitação e estarmos aqui a discutir se o decreto-lei vale, se não vale, se temos o direto a ter um protesto assim ou se estamos a abrir um precedente. Tudo isto é ridículo!"
Já sobre a declaração do primeiro-ministro, na noite de terça-feira, a docente defendeu que Luís Montenegro devia ter "reconhecido" como têm tratado "tão erradamente" e difamado os manifestantes das acampadas.
Antes de concluir, Renata recordou que a primeira medida defendida pelos manifestantes "é a retirada imediata da nova lei do arrendamento". Posteriormente, os promotores das acampadas vão "reivindicar outras medidas, como aumentar o parque publico nacional e travar a especulação imobiliária".
Manifestantes voltam a montar tendas no RossioOs participantes na Acampada de Lisboa começaram a montar tendas no Rossio pelas 23h30 de terça-feira, em mais uma ação pelo direito à habitação.
Lusa | 03:47 - 04/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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