Hutis conquistam cidadela e posições estratégicas em Lahj, no Iémen
Os rebeldes huthis do Iémen conquistaram uma cidadela e outras posições montanhosas estratégicas na província meridional de Lahj, após vários dias de intensos combates com forças pró-governamentais, indicaram hoje fontes oficiais.
Citadas pela agência noticiosa espanhola EFE, as fontes referem que o avanço reforça a posição do grupo nas rotas que ligam a cidade sitiada de Taiz ao sul do país.
Segundo as fontes, o avanço dos huthis incluiu a conquista da estratégica Qalaat al-Maqatirah e do desfiladeiro de Kurbah, que liga zonas da província de Taiz ao distrito de al-Maqatirah e à província de Lahj.
Os combatentes pró-governamentais retiraram-se depois de sofrerem baixas e de ficarem sem alimentos, água e munições, acrescentaram as mesmas fontes.
Estes avanços dos huthis surgem na sequência de confrontos nas frentes do distrito de al-Maqatirah e de Haijat al-Abd, onde as forças leais ao Governo internacionalmente reconhecido, apoiado pela Arábia Saudita, e as milícias locais tinham conseguido repelir anteriores ataques dos rebeldes.
O distrito de al-Maqatirah, que administrativamente pertence à província de Lahj e faz fronteira com Taiz, tem importância estratégica, uma vez que abrange a estrada de Haijat al-Abd, que liga as duas províncias, e domina importantes rotas de abastecimento e circulação entre o norte e o sul do Iémen.
A cidadela de al-Maqatirah ergue-se numa montanha a cerca de 2.100 metros de altitude, de onde domina as províncias de Lahj e de Áden, cidade que serve de sede ao Governo internacionalmente reconhecido.
A sua localização elevada proporciona um ponto de observação privilegiado sobre o território circundante, enquanto os desfiladeiros próximos são fundamentais para a vigilância, a movimentação de tropas e as linhas de abastecimento.
Esta conquista, segundo as fontes citadas pela EFE, proporciona às forças huthis uma posição mais sólida entre a zona rural de Taiz e o norte de Lahj, aumentando potencialmente a pressão sobre as forças pró-governamentais que operam na região.
Estes acontecimentos ocorrem num contexto de retoma dos combates em Taiz e na vizinha província de Lahj, onde os huthis têm procurado assegurar o controlo de zonas elevadas e de estradas estratégicas.
Os rebeldes negaram ter imposto um cerco a Taiz, a terceira maior cidade do Iémen, apesar de responsáveis governamentais e fontes humanitárias terem denunciado restrições ao acesso e à livre circulação.
As hostilidades foram retomadas no Iémen em meados de julho, quando o Exército iemenita, leal ao Governo e apoiado pela Arábia Saudita, bombardeou o aeroporto de Sana para impedir a aterragem de um avião iraniano.
Pouco depois, os huthis lançaram uma ofensiva que lhes permitiu conquistar toda a costa sudoeste do Iémen, ao mesmo tempo que iniciaram ataques contra instalações energéticas, económicas e infraestruturas na Arábia Saudita.
Entretanto, a coligação militar anti-huthis, liderada por Riade, e o Governo internacionalmente reconhecido retomaram os bombardeamentos contra o território controlado pelos rebeldes e lançaram uma contraofensiva denominada "Amanhecer do Iémen", que, contudo, parece não ter permitido recuperar o território perdido.
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