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Jordânia e Síria acordam investigação conjunta de ataques jordanos

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Jordânia e Síria acordam investigação conjunta de ataques jordanos

A Jordânia e a Síria acordaram hoje criar um comité conjunto para investigar as circunstâncias que levaram aos ataques jordanos que mataram vários civis em território sírio no dia anterior, aumentando as tensões entre os dous países.

 

Hoje, a Jordânia disse que nos ataques aéreos que realizou sobre a Síria foram mortos cerca de 20 militantes do grupo extremista Estado Islâmico, mas reconheceu que também morreram alguns civis. As autoridades sírias reportaram sete pessoas mortas nos ataques, a maioria mulheres e crianças.

Num comuciado conjunto, emitido após uma chamada telefónica entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da Síria e da Jordânia os dois países anunciaram que vão "desenvolver mecanismos de coordenação de campo e de inteligência para lidar com ameaças terroristas de uma forma que garanta a preservação da soberania síria e a proteção das vidas dos civis inocentes".

A força aérea do Reino Hachemita realizou na segunda-feira à noite ataques aéreos na Síria como retaliação pelos ataques da semana passada a um funeral numa Igreja Ortodoxa Grega na cidade de Karak, no sul da Jordânia, que mataram nove pessoas.

No mesmo a Jordânia anunciou que os três atiradores tinham sido detidos, mas a sua filiação não foi divulgada.

Os números dados nas declarações pelo porta-voz do governo jordano, Mohammad al-Momani, diferem do que os primeiros socorristas sírios relataram.

A defesa civil da Síria disse que apenas recuperou os corpos de sete civis mortos em ataques jordanos nas províncias do sul de Daraa e Sweida. Cinco destas vítimas mortais eram de uma família, incluindo três crianças e uma mulher, dois dos homens mortos eram idosos.

O governo sírio afirmou que os ataques foram realizados sem coordenação ou notificação prévia da Síria.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria condenou em comunicado os ataques, chamando-os de uma "violação e intrusão inaceitáveis" do espaço aéreo sírio, mas também disse que as lideranças dos dois países vão reforçar a coordenação de segurança para "obstruir quaisquer esforços para desestabilizar a segurança dos dois países e derramar o sangue do seu povo".

Al-Momani disse que os ataques basearam-se em informações sobre "ameaças confirmadas e atos terroristas planeados contra a Jordânia" e expressou pesar pelas vítimas civis.

Amã e Damasco mantiveram fortes laços bilaterais após a queda da dinastia Assad, em dezembro de 2024, e a criação do governo interino liderado pelo Presidente islamista Ahmad al-Sharaa.

Masoud al-Salim perdeu a esposa, o filho e três netos num dos ataques que atingiram a sua casa na aldeia fronteiriça síria de Al-Tuff, na província de Daraa. "Corri até lá e percebi que a casa já não existia, nenhuma tenda, nada. Não consegui encontrar ninguém," disse al-Salim, revirando livros escolares e brinquedos das crianças nos escombros.

"Comecei a procurar debaixo dos destroços. Pensei que poderiam estar enterrados lá", acrescentou.

No funeral da família morta nos ataques de segunda-feira, os enlutados estavam em choque.

"Quando a igreja em Karak foi alvo, sentimos pena deles e ficámos chateados por eles," disse Majed al-Hayjan, um residente de Daraa. "Mas o que é que as crianças que estavam a dormir tinham a ver com isto? Tivemos de as tirar debaixo dos escombros. O que fizeram elas para merecer isto?", questionaram.

Leia Também: Mais de 20 combatentes do EI mortos na Síria, dizem autoridades jordanas

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