Jornalista egípcia libertada após pagar multa no Egito
A jornalista egípcia Lina Attalah, diretora do principal media independente, Mada Masr, foi hoje libertada após um julgamento relâmpago e o pagamento de uma pesada multa, no mais recente caso num país criticado por violações da liberdade de imprensa.
No final de uma única audiência, um tribunal do Cairo ordenou o encerramento do 'site' e aplicou uma multa de três milhões de libras egípcias (cerca de 49 mil euros) pela sua operação "sem licença", adiantou o portal.
Segundo a mesma fonte, após o julgamento membros das forças de segurança "cercaram (a jornalista) e retiraram-na da sala de audiências".
Hossam Bahgat, diretor da organização Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR) e presente no local, descreveu a detenção a ocorrer "no meio de gritos e protestos dos advogados de defesa".
à jornalista acabou por ser libertada à noite, após o pagamento da multa, informou à AFP o seu advogado, Hassan al-Azhari.
O advogado salientou, contudo, ter descoberto durante os trâmites para a libertação que uma outra sentença havia sido proferida à revelia em 2024, condenando-a a um ano de prisão por divulgar "informações falsas" e "gerir um site sem licença".
"Recorremos desta condenação, e está marcada uma audiência para o dia 11 de novembro", acrescentou.
Antes do anúncio da sua libertação, a Amnistia Internacional tinha classificado o episódio como um "dia negro", avaliando que a decisão judicial "desferiu um golpe terrível contra a liberdade de imprensa no Egito".
Trata-se de, pelo menos, o sexto caso que envolveu Lina Attalah e o Mada Masr nos últimos seis anos.
"Se o Egito pode deter uma das suas mais conceituadas editoras-chefes e fechar a sua redação, nenhum jornalista independente está a salvo neste país", alertou Sara Qudah, diretora regional do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) para o Médio Oriente.
"O Mada Masr deve poder continuar a realizar o seu trabalho", insistiu.
Este caso ocorre poucas semanas após a detenção de uma equipa de jornalistas especializados na verificação de factos de outra plataforma 'online', o Matsadaash, acusados de difundir "informações falsas" e de manter ligações à Irmandade Muçulmana, uma organização proibida no Egito.
Este tipo de acusações são frequentemente feitas contra órgãos de comunicação social vistos como críticos do governo.
No Egito, país frequentemente criticado pela repressão da liberdade de imprensa, 26 jornalistas encontram-se atualmente detidos em razão do seu trabalho, segundo um levantamento da EIPR.
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