"Laboratórios de media pelo que fazem", diz Stephen Fozard
O diretor de projetos da Global Alliance for Media Innovation da WAN-IFRA defende, em entrevista à Lusa, a importância dos laboratórios de media (media labs) no setor, nomeadamente devido ao impacto daquilo que fazem.
"Os laboratórios de media [media labs] são importantes porque não é tanto como lhes chamamos ou a estrutura dos laboratórios que importa, mas sim o que eles realmente fazem", diz Stephen Fozard, diretor de projeto da Global Alliance for Media Innovation da Associação Mundial de Editores de Notícias WAN-IFRA [World Association of News Publishers].
O departamento que dirige foi criado há 15 anos, quando lhe pediram para liderar um novo espaço na WAN-IFRA dedicado à investigação e inovação aplicada.
"Ou seja, não tanto investigação académica, mas sim investigação, desenvolvimento e inovação aplicados em empresas de media, novas empresas de media, e estar literalmente atentos ao que se passa, quais são as tendências, quais são os desafios, quais são os sucessos, porque sentíamos na altura — o meu CEO na altura sentia — que a WAN-IFRA ainda não tinha essa vertente na organização", enquadra Stephen Fozard, que esteve recentemente em Lisboa por ocasião do iNOVA Media Lab Fest.
"Precisávamos de um espaço onde pudéssemos observar o que se estava a passar, porque já toda a gente falava sobre inovação há 15 anos, mas as coisas andavam um pouco dispersas", recorda.
Portanto, "a ideia era: como podemos servir a indústria servindo de elo de ligação entre todas estas iniciativas? Esse é o primeiro ponto", diz.
O segundo, "é que percebemos, nessa altura, que a única maneira de termos sucesso seria falar não apenas com os nossos membros, as empresas de comunicação social, mas também com alguns académicos que estivessem a fazer investigação interessante para o nosso setor", desde startups, polos de inovação, entre outros.
A ideia era "criar, construindo pontes, um ecossistema saudável para a inovação, foi essa a filosofia que me foi dada", explica.
Ao avançar com este projeto, Stephen Fozard percebeu que havia vários laboratórios de inovação de media que estavam a ser criados.
"Estes assumiam formas e estruturas muito diferentes: alguns são laboratórios de I&D dentro das empresas, alguns são incubadoras de startups, alguns são colaborações com o meio académico, havia muitos tipos diferentes", elenca.
Portanto, "o que decidi na altura, em acordo com a gestão, foi que precisávamos de falar com esta comunidade em particular do nosso setor. Precisávamos de os juntar; eles precisavam de se conhecer, porque precisavam de aprender uns com os outros. Foi por isso que criámos os Media Labs Days, porque estas pessoas precisavam de se ver uma vez por ano, na mesma sala, para trocar experiências", prossegue.
"Não reinventámos a roda", sublinha.
Sobre o que podem fazer as empresas de media pequenas se quiserem apostar na inovação e num 'media lab', o diretor explica que o dinheiro não é o principal problema.
"Não é preciso muito capital para realizar algo assim. Um laboratório, uma zona de inovação ou um núcleo — chame como quiser, um polo de inovação em media — pode consistir simplesmente em alguns membros da equipa vindos da própria redação que continuam a exercer as suas funções habituais, mas que — e aqui cito um exemplo concreto — passam a dedicar dois dias por semana a pensar em novos produtos", exemplica.
Ou seja, liberta os profissionais das suas tarefas diárias "para que se concentrem em novas ideias. Foi assim que alguns fizeram. Não é necessário dizer: 'Muito bem, vou criar um laboratório e, para isso, preciso contratar alguém novo'. É preciso pensar em abordagens diferentes. Portanto, não acredito que seja obrigatório ter um laboratório para inovar", salienta o responsável.
"Acredito que, para inovar ou ser criativo, não é preciso ter muito dinheiro. Além disso, penso que empresas de media de menor porte poderiam utilizar esse tipo de rede para se apoiarem umas às outras", considera.
Se uma empresa estiver em Lisboa e houver duas pequenas empresa de media, elas são concorrentes entre si.
"Mas uma pequena empresa de media em Lisboa não concorre com uma pequena empresa de media na França ou na Alemanha, por exemplo. Então, por que essas empresas não trabalham juntas, trocando oportunidades — ou melhor, compartilhando desafios e conquistas? É justamente nesse contexto que isso pode acontecer", sublinha Stephen Fozard.
Empresas de IA precisam dos media mas com remuneração justa, diz FozardO diretor de projetos da Global Alliance for Media Innovation da WAN-IFRA, Stephen Fozard, defende que as empresas de IA precisam dos media, mas é necessário que haja uma remuneração justa pelos conteúdos.
Lusa | 09:49 - 01/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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