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Lisboa: Acampada diz que PSP vai intervir mas manifestantes vão resistir

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Lisboa: Acampada diz que PSP vai intervir mas manifestantes vão resistir

O movimento Acampada de Lisboa pelo direito à habitação disse hoje, pelas 00:30, que a polícia avisou que vai intervir esta noite, após diálogo com os manifestantes, que pretendem resistir com tendas montadas no Rossio.

 

Em declarações aos jornalistas no local, Adriana Lima, uma das porta-vozes da Acampada de Lisboa, disse que a decisão sobre como agir perante uma possível intervenção policial foi tomada de forma coletiva e tendo em conta a segurança coletiva, nomeadamente a possibilidade de desmobilizar ou resistir.

"As decisões são sempre tomadas tendo em conta a segurança de toda a gente [...]. Não queremos que ninguém seja detido, não queremos que ninguém seja agredido", afirmou.

A mesma porta-voz indicou que estão montadas "mais de 150 tendas" e centenas de pessoas pretendem pernoitar.

Enquanto há vários elementos policiais a cercar a praça, Adriana Lima reforçou a necessidade de protestar perante a crise da habitação e a resistir perante uma possível intervenção policial.

"Este Governo está a falhar na habitação, na educação, na saúde e no pão, e, por isso, faz todo o sentido nós estarmos aqui", advogou, reforçando que a acampada está a decorrer "de forma pacífica", com as tendas a simbolizarem todas as pessoas que não conseguem ter uma habitação.

"Como é que um protesto pacífico está a ter uma ação tão violenta por parte do Governo? Porque é que o Governo constantemente ignora ouvir? Porque é que o Governo faz declarações em que não quer saber dos gritos que vêm da rua?", questionou, criticando a violência policial.

Adriana Lima interrogou ainda o porquê de o Governo de PSD/CDS-PP ainda se manter em funções se se recusa a ouvir o povo, alegando que quem governa tem "interesses próprios", inclusive para beneficiar das novas leis do arrendamento.

Para a porta-voz, quando faltam os direitos básicos "é de esperar que haja uma revolução".

Pelas 01:00, os manifestantes resistiam junto às mais de 150 tendas montadas atrás da estátua de D. Pedro IV, depois de, meia hora antes, ter terminado o momento musical que encheu a praça após a manifestação da tarde de sábado, que partiu do Marquês de Pombal e terminou no Rossio.

Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.

Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas - verdadeiramente acessíveis, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.

Leia Também: Acampada de Lisboa contabiliza 130 tendas no Rossio

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