Mais de 300 pessoas voltaram à Praça D. João I no Porto em protesto
A Praça D. João I, no Porto, recebeu hoje mais de 300 pessoas na continuação do protesto da Acampada, com nova assembleia popular e a marca de resistência na luta pelo direito à habitação.
Em novo dia de protesto, muitos dos que tinham estado ao final da tarde de hoje na manifestação convocada pela plataforma Casa para Viver, na Praça da Trindade, desceram os poucos metros que distam da Praça D. João I e voltaram a reunir-se em assembleia popular.
Sem presença policial visível, a assembleia versou sobre a crise da habitação e votou questões relativas à segurança dos manifestantes se, e quando, decidirem pernoitar na praça.
Pelas 22:00, já só algumas dezenas de pessoas permaneciam no local.
Em declarações aos jornalistas, Leonor Figueiredo explicou que o voto foi pela resistência da "permanência na praça", com pré-aviso de manifestação convocado até 31 de dezembro.
"Continuaremos a estar aqui todos os dias, até quando pudermos, as pessoas ficam na praça após as assembleias, jantamos todos juntos e continuará a ser assim até o povo decidir que já não é assim", disse Leonor Figueiredo.
Quanto ao convite de reunião com o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, os manifestantes insistiram em devolver o convite ao autarca, pedindo para que seja ele a deslocar-se à praça para conversar abertamente.
Hoje à noite voltou também a funcionar a cantina popular, que ofereceu jantar a dezenas de pessoas, incluindo algumas pessoas em situação de sem-abrigo que pernoitam nas imediações da Praça D. João I.
Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República.
O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
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