Marrocos prevê aumento recorde de 21% no orçamento de armamento para 2027
O Governo de Marrocos prevê aumentar o seu orçamento para armamento até 190.500 milhões de dirhams (cerca de 17.500 milhões de euros), o que representa um aumento de 21,3% em relação ao ano anterior e um dos maiores crescimentos registados nos últimos anos.
De acordo com o projeto de Orçamento de 2027, este teto de compromissos orçamentais atribuído à Administração da Defesa Nacional entra na dotação denominada "aquisição e reparação de material das Forças Armadas Reais", e "o apoio ao desenvolvimento da indústria de defesa".
O aumento enquadra-se numa tendência de subida do orçamento de armamento marroquino nos últimos anos. Em 2026, esta verba ascendeu a 157.000 milhões de dirhams (cerca de 14.500 milhões de euros), um aumento de 17,8% face a 2025.
Desde 2020, Marrocos tem promovido uma estratégia para desenvolver uma indústria nacional de defesa através de um enquadramento jurídico específico, a criação de zonas industriais e acordos com fabricantes estrangeiros para atrair investimentos e favorecer a transferência tecnológica, entre outros.
Durante a última feira de indústria aeroespacial e aeronáutica "Marrakech Air Show", o ministro delegado encarregado da Defesa, Abdellatif Loudiyi, apontou que o objetivo de Marrocos é "passar de um país que importa capacidades de defesa para se tornar um país que desenvolve capacidades nacionais e reforça a sua soberania nacional".
Na última quinta-feira, os partidos marroquinos da coligação governamental e da oposição reclamaram a soberania do seu país sobre as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, localizadas no norte de África.
O nacionalista Istiqlal alertou que a parceria com Espanha não pode ser feita à custa da integridade territorial de Marrocos.
Estas posições foram expressas no Parlamento marroquino durante o debate sobre o programa do novo Governo, presidido por Fatima Ezzahra el Mansouri e formado após as eleições legislativas do mês passado em Marrocos.
E, também na quinta-feira, a Frente Polisário rejeitou a proposta dos Estados Unidos sobre a renovação da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO), cujo mandato expira dia 31, e ameaçou abandonar as negociações se o texto se mantiver.
Segundo a Frente Polisário, o texto "reflete plenamente a posição de Marrocos, Estado ocupante".
Numa carta dirigida ao Conselho de Segurança, o representante do Frente Polisário junto da ONU, Sidi Mohamed Omar, considerou que "o conteúdo do rascunho inicial não pode servir de base para qualquer deliberação sobre a MINURSO nem para o processo de paz no Saara Ocidental".
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