Movimento pede afastamento do autarca de Albufeira da Águas do Algarve
O Movimento Albufeira Sem Medo pediu hoje o afastamento do presidente da Câmara de Albufeira da administração da Águas do Algarve, alegando um conflito de interesses por ordenar o embargo da dessalinizadora enquanto integra a empresa.
Em comunicado, o movimento anunciou ter apresentado uma denúncia formal contra Rui Cristina (Chega), que é também vogal não executivo do Conselho de Administração da Águas do Algarve, empresa responsável pelo projeto da dessalinizadora.
O autarca foi nomeado para aquele cargo em 01 de outubro e anunciou, em 30 de outubro, o embargo da obra da dessalinizadora, enquanto presidente da Câmara de Albufeira, no distrito de Faro.
O Movimento Albufeira Sem Medo considera que o exercício simultâneo das duas funções "levanta questões de incompatibilidade", alegando que não foi declarado qualquer impedimento ou conflito de interesses entre os cargos.
Na denúncia, o movimento aponta para uma eventual violação de disposições do Código do Procedimento Administrativo, do Estatuto dos Eleitos Locais, do Estatuto do Gestor Público e dos regulamentos éticos do Grupo Águas de Portugal.
Entre os pedidos apresentados está "a abertura de um processo de averiguação dos factos, o afastamento imediato de Rui Cristina de todas as matérias relacionadas com a dessalinizadora e a sua demissão" do cargo de administrador da Águas do Algarve.
"Ninguém pode estar dos dois lados da mesa", defende o movimento, que sublinha que a contestação não está relacionada com a posição a favor ou contra a construção da dessalinizadora, mas com a alegada "incompatibilidade entre as funções exercidas pelo autarca".
O comunicado recorda ainda que Rui Cristina foi acusado pelo Ministério Público, em agosto de 2026, de alegados crimes de discriminação e incitamento ao ódio, na sequência de declarações sobre a comunidade cigana.
O autarca é também alvo de uma ação de perda de mandato relacionada com a nomeação da irmã para funções municipais, acrescenta o movimento.
O Movimento Albufeira Sem Medo defende que os factos devem ser apurados pelas entidades competentes, ressalvando "o princípio da presunção de inocência de Rui Cristina".
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