Nova Zelândia vai às urnas: Inflação define eleições
Os neozelandeses vão no sábado às urnas em eleições legislativas que prometem ser renhidas, num cenário marcado por preocupações com o aumento do custo de vida e com a situação económica.
De acordo com a sondagem RNZ-Reid Research, realizada pela emissora pública da Nova Zelândia, 64% dos inquiridos afirmam que a inflação e a subida dos preços são a sua maior preocupação, seguidas da situação do sistema de saúde neozelandês e, depois, do preço da gasolina, sendo outros fatores o estado da economia do país e o aumento do desemprego.
Segundo as sondagens, nem o Partido Nacional, que está no poder sob a liderança do primeiro-ministro, Christopher Luxon, nem o Partido Trabalhista, na oposição, parecem capazes de obter maioria absoluta, pelo que será necessária uma aliança para nomear um chefe de Governo, conferindo aos partidos mais pequenos um papel fundamental.
O primeiro-ministro cessante espera que a sua coligação de direita consiga manter-se no poder prometendo que "não haverá novos impostos" e descrevendo os opositores como uma aliança de esquerda imprevisível.
Ex-diretor-executivo da companhia Air New Zealand, este milionário conservador lidera o Governo neozelandês desde 2023, mas as divisões internas no seu partido, somadas ao aumento do custo de vida durante o mandato, desgastaram-lhe a popularidade.
Luxon afirmou ver-se como "um supervendedor" ao serviço do país e comprometeu-se a promover mais acordos de comércio livre, caso seja reeleito.
O seu principal adversário nestas legislativas é o trabalhista Chris Hipkins, que ocupou o cargo de primeiro-ministro durante alguns meses em 2023, sucedendo a Jacinda Ardern (2017-2023).
Hipkins procura apresentar-se como um homem do povo, fazendo piadas sobre a sua roupa de gosto duvidoso, o apreço por folhados de salsicha e a paixão por trabalhos manuais e reparações domésticas.
Se regressar ao poder, o Partido Trabalhista prometeu um conjunto de medidas para fazer face ao custo de vida, desde a gratuitidade de consultas médicas e medicamentos sujeitos a receita médica até à redução dos preços dos transportes públicos.
O Partido das Oportunidades (TOP), de Qiulae Wong — um movimento centrista —, regista apenas cerca de 7% das intenções de voto nas sondagens, mas um resultado demasiado renhido nas eleições de sábado poderá conferir à sua líder um papel decisivo na formação de um futuro Governo.
Aos 38 anos, a ex-consultora da KPMG comprometeu-se a fazer aprovar um rendimento básico universal de até 370 dólares neozelandeses (pouco menos de 186 euros) por semana, financiado por um imposto sobre a propriedade imobiliária.
Prometeu igualmente adotar medidas ambiciosas para combater as alterações climáticas e recuperar o sistema de saúde da Nova Zelândia, que enfrenta dificuldades.
O populista Winston Peters, atual ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do partido New Zealand First (Nova Zelândia Primeiro) é atualmente uma das figuras mais controversas da política neozelandesa, com a sua posição assumidamente racista.
Em julho, a embaixada da China em Wellington apresentou uma queixa contra o político octogenário, após sugerir ao deputado do Partido Verde Lawrence Xu-Nan, nascido na China, que "regressasse ao seu país", quando este o questionou em plenário.
Embora o primeiro-ministro tenha classificado o comentário como "muito ofensivo", não demitiu Peters do seu Governo.
Caso regresse ao poder após as legislativas de sábado, o New Zealand First prometeu cortes drásticos na imigração e a retirada da Nova Zelândia do Acordo de Paris sobre o clima.
Outro dos protagonistas destas legislativas é o atual vice-primeiro-ministro neozelandês, David Seymour, que governa ao lado de Christopher Luxon desde 2023, numa coligação por vezes turbulenta.
Seymour ganhou visibilidade ao fazer campanha contra medidas que visavam fortalecer o papel da minoria indígena maori na governação, e a favor de cortes drásticos na despesa pública e nos impostos, e o seu partido, ACT, que defende posições libertárias, tem intensificado as provocações contra a esquerda.
Com 10% das intenções de voto, será uma peça-chave em qualquer coligação de direita.
Do outro lado do espetro político, encontram-se Os Verdes, o terceiro partido mais popular da Nova Zelândia, cujas co-dirigentes, Chloe Swarbrick e a ex-ministra Marama Davidson, se inspiraram num projeto do presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, para propor a criação de uma cadeia de supermercados gerida pelo poder público.
Prometeram também impor um imposto sobre as grandes fortunas e alocar milhares de milhões adicionais ao setor da saúde.
Tratando-se da segunda força de centro-esquerda mais popular do país, o apoio do partido Os Verdes será determinante, caso Chris Hipkins queira tornar-se primeiro-ministro.
Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.