ONU exige acesso humanitário a zona do Iémen sitiada pelos hutis
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, exigiu hoje acesso humanitário a Taiz, no oeste do Iémen, sitiada desde o início de outubro pelos rebeldes huthis.
"O encerramento, pelos huthis, da única via de abastecimento que liga Taiz a Aden expõe os civis a graves perigos, bloqueia a ajuda humanitária e dificulta o acesso a bens de primeira necessidade", alertou Turk, em comunicado.
Segundo o alto comissariado, o bloqueio provocou uma forte subida dos preços dos produtos básicos, deixando muitas pessoas sem acesso suficiente a alimentos e outros bens essenciais.
As restrições estão também a dificultar o acesso seguro à água, agravando as necessidades humanitárias e aumentando os riscos para a população civil.
"A ajuda humanitária deve poder entrar imediatamente na cidade e a sua passagem deve ser facilitada", exigiu Turk.
Os combates entre as forças governamentais iemenitas e os huthis, apoiados pelo Irão, recomeçaram em julho, após vários anos de relativa acalmia.
Os huthis conquistaram vastas áreas do Iémen a partir de 2014, incluindo a capital, Sanaa, e em setembro assumiram o controlo do litoral ocidental do país, junto ao mar Vermelho, após uma rápida ofensiva.
Desde o início de outubro, os rebeldes cercam Taiz, a terceira maior cidade do país, e bloqueiam a estrada que a liga a Aden, onde está instalado o Governo internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.
A cidade enfrenta atualmente escassez de bens essenciais, num país que já atravessava uma grave crise humanitária antes da recente intensificação das hostilidades.
Turk avisou que os riscos para a população estão a aumentar consideravelmente, à medida que os combates se aproximam das áreas densamente povoadas.
"Exorto todas as partes no conflito a absterem-se de utilizar armas explosivas com efeitos de grande alcance em zonas povoadas e a tomarem todas as precauções possíveis para proteger os civis e os bens de caráter civil", afirmou Turk.
O alto comissário reiterou ainda o apelo aos huthis para que libertem "imediatamente e sem condições" todos os funcionários das Nações Unidas e de outras organizações não-governamentais detidos arbitrariamente.
Em meados de outubro, cerca de 70 funcionários da ONU continuavam detidos pelos rebeldes, segundo a organização.
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