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Oposição israelita reúne-se para discutir formação de governo alternativo

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Minuto Fonte Externa
2 de novembro de 2026 • 6 min de leitura
Oposição israelita reúne-se para discutir formação de governo alternativo

Os partidos da oposição em Israel reúnem-se na terça-feira para discutir a construção de um governo alternativo ao bloco do atual primeiro-ministro, depois de terem alcançado consenso sobre o nome de Gadi Eisenkot para liderar o próximo executivo.

 

A marcação da reunião, num hotel em Herzliya, próximo de Telavive, foi revelada hoje pelo Yashar!, partido de Eisenkot, que ficou em segundo lugar, com 21 deputados, nas legislativas realizadas na terça-feira, e pelo líder do Yisrael Beitenu (Israel é a Nossa Casa), Avigdor Lieberman, que elegeu sete candidatos.

O Yashar! e o Yisrael Beitenu são duas das quatro forças judaicas do chamado bloco da mudança contra o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que ganhou a votação, com 27 lugares, e procura conservar-se no poder.

Antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros e colocado à direita na oposição, Lieberman encerrou hoje a especulação sobre o consenso em torno do ex-general Gadi Eisenkot para liderar o próximo governo em Israel, mas o debate sobre o apoio político necessário continua em aberto.

Em causa está a recusa de Lieberman do apoio dos partidos árabes para procurar uma saída para o labirinto político criado após as eleições, em que nem o bloco pró-governo nem o anti-Netanyahu conseguiram maioria para controlar os 61 lugares no parlamento israelita (Knesset).

"Aproximaram-se de mim líderes com as propostas mais estranhas", comentou, a propósito da possibilidade de se unir a Netanyahu, que nos últimos quatro anos governou aliado com os grupos de extrema-direita e com o apoio parlamentar dos ultraortodoxos. No entanto, este bloco ficou a oito lugares da maioria absoluta.

O bloco da mudança também não alcançou essa maioria, ficando a 13 lugares de distância e dependente das duas formações árabes, que elegeram 19 deputados após uma participação histórica desta minoria, que representa 21% da população.

Em conferência de imprensa, Lieberman afirmou que recusa sentar-se com Netanyahu no mesmo executivo, nem que lhe seja oferecido o cargo de primeiro-ministro em rotação, depois de ter apresentado queixas contra o líder israelita por traição, no seguimento de revelações sobre os ataques do 07 de Outubro (de 2023) e uma alegada tentativa de arrastar o país para a guerra com o Irão em pleno processo eleitoral.

Ao mesmo tempo, o líder do Yisrael Beitenu disse que recusa o apoio dos partidos árabes, num governo de coligação ou até o seu apoio parlamentar a um executivo minoritário.

"Daremos o mandato a Gadi [Eisenkot]. Talvez ele consiga dividir o Likud. Talvez metade do Likud venha para o nosso lado", afirmou, citado pelo portal Ynet, advertindo: "Temos paciência. O Likud está histérico porque tem medo que se possa formar um governo sem Netanyahu à sua frente".

Lieberman, que se tornou numa chave para desbloquear o impasse sobre o próximo ciclo político, também rejeita descartar os dois partidos ultraortodoxos, que integram o bloco pró-Netanyahu e elegeram 13 deputados, apesar da controvérsia sobre a isenção militar a esta comunidade.

Na conferência de imprensa hoje realizada, o dirigente do Yisrael Beitenu sugeriu ainda que o ex-primeiro-ministro Yair Lapid (que foi o líder de oposição nos últimos quatro anos e concorreu aliado com o também ex-chefe de governo Naftali Bennett) seja o próximo presidente do parlamento, depois de a coligação de ambos (Juntos) ter ficado em terceiro lugar nas eleições, com 12 deputados.

Bennett já tinha endereçado o seu apoio a Eisenkot no domingo para formar governo, seguindo-se à outra força do bloco da mudança, a coligação de centro-esquerda Democratas, liderada por Yair Golan e que recebeu oito deputados.

As duas formações árabes, Lista Conjunta e Ra'am, reuniram-se hoje em Nazaré, no norte do país, para coordenar as suas posições antes das consultas do Presidente israelita, Isaac Herzog, para indicar um candidato para formar o próximo governo.

"Reunião de coordenação e consultas entre os líderes da Lista Conjunta e do Ra'am. O objetivo: derrubar o governo de Netanyahu, [o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita Itamar) Ben-Gvir e [o ministro das Finanças e também ultranacionalista Bezalel) Smotrich, e substituí-lo por um novo governo de mudança", anunciou Ahmad Tibi, presidente do Ta'al, um dos três partidos que compõem a coligação Lista Conjunta.

O foco nos próximos dias vai estar no Presidente israelita e no convite que vai endereçar a um candidato, estando em aberto se o fará a Netanyahu, na qualidade de líder do partido mais votado mas com hipóteses remotas de receber aprovação no Knesset, ou a Eisenkot, à frente de uma coligação de oposição mas sem base ainda conhecida de viabilidade parlamentar.

Isaac Herzog começará na quarta-feira as consultas com os partidos que obtiveram menos lugares e, no dia seguinte, vai reunir-se com as restantes forças.

"Neste momento, é importante esgotar todas as opções, alargar o diálogo e explorar todas as vias possíveis para fazer avançar o processo. O Presidente também não descarta uma ronda adicional de consultas, se necessário", indicou um comunicado da presidência israelita hoje divulgado.

O chefe de Estado disse esperar que os representantes partidários "venham com a mente aberta e com o coração aberto", incentivando-os a participar nas reuniões com vontade de ouvir, trocar propostas e procurar "soluções criativas" para evitar que Israel tenha de realizar uma nova eleição.

Do lado do bloco de apoio ao Governo, os ultraortodoxos do Shas expressaram hoje apoio a Netanyahu para ser reconduzido na chefia do executivo, colocando um ponto final nos rumores que davam conta de que poderiam passar-se para o lado de Eisenkot.

Assim que Isaac Herzog designar um candidato, este terá 28 dias para negociar com potenciais parceiros de coligação, após os quais poderá solicitar uma prorrogação de outros 14.

Caso o candidato não consiga formar uma coligação, a decisão regressa ao Presidente, que poderá escolher outro nome para tentar novamente a formação de um executivo durante 28 dias, sem possibilidade de prorrogação.

Leia Também: Forças israelitas detêm 18 colonos na Cisjordânia por distúrbios

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