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Opositor diz que Netanyahu usará "estado de emergência"

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Minuto Fonte Externa
2 de novembro de 2026 • 6 min de leitura
Opositor diz que Netanyahu usará "estado de emergência"

O opositor israelita de centro-esquerda Yair Golan, líder da coligação Democratas, alertou hoje que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, não hesitará em mergulhar o país num "estado de emergência" com outra guerra para atrasar a mudança de governo.

 

"Aviso: Netanyahu não hesitará em levar Israel a uma escalada de segurança e a um estado de emergência para atrasar a mudança de governo, desconsiderando ditatorialmente a vontade do eleitorado israelita", declarou Golan numa declaração em vídeo na rede X.

Durante o seu discurso, o líder dos Democratas avisou que a segurança de Israel enfrenta um perigo "grave e iminente" de escalada militar, e apelou para um acordo o mais depressa possível para formar um governo que destitua o atual primeiro-ministro, na sequência das eleições legislativas realizadas na passada terça-feira.

Os Democratas são uma das quatro forças de oposição de base sionista no chamado bloco da mudança, que precisa do apoio dos partidos árabes para conseguir maioria absoluta no parlamento, uma meta também falhada pelo Likud (de Netanyahu e que venceu as eleições), mesmo com o apoio dos seus aliados de extrema-direita e ultraortodoxos.

O líder da coligação de centro-esquerda, que elegeu oito deputados, referiu-se também ao último ciclo político, marcado pelos ataques do grupo islamita Hamas, em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, onde fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, desencadeando a guerra na Faixa de Gaza e outras frentes de conflito.

"Depois de conduzir uma campanha falhada contra o Hamas e de não o conseguir eliminar, depois de sabotar deliberada e cinicamente a libertação dos reféns e depois de ter provocado — e continuar a provocar — o caos governamental em toda a Cisjordânia, torna-se absolutamente claro que Netanyahu não está à altura da tarefa", acusou o líder da aliança Democratas, que resultou da fusão do Partido Trabalhista com o Meretz.

No sábado, Netanyahu falou por telefone com o Presidente norte-americano, Donald Trump, segundo o portal o Axios e o The Wall Street Journal, sobre a possibilidade de Israel e os Estados Unidos retomarem os bombardeamentos contra o Irão, após a ofensiva conjunta lançada em 28 de fevereiro.

O Axios noticiou que o líder israelita está a pressionar Trump para que reate os ataques contra a República Islâmica imediatamente após as eleições intercalares para o Congresso norte-americano, que se realizam na terça-feira, uma semana depois das legislativas em Israel.

Enquanto paira a ameaça de confrontação militar, o Irão e os Estados Unidos continuam o seu trabalho diplomático depois de Teerão ter enviado uma delegação a Doha no fim de semana.

O Irão hoje que, se os Estados Unidos aceitarem as suas condições, poderá iniciar um plano para reabrir o estreito de Ormuz ao tráfego marítimo em dois dias e dar início a negociações mais avançadas para o fim da guerra.

Antes das legislativas, Netanyahu procurou desencadear uma operação militar contra o Irão mas o chefe das forças armadas, Eyal Zamir, recusou, segundo notícias difundidas pela imprensa israelita e norte-americana, que o chefe do Governo refutou.

A dias da votação, o primeiro-ministro divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial, mostrando uma explosão nuclear em Telavive, acompanhada de um alerta sobre o risco de um "segundo Holocausto" por parte do Irão.

Os partidos da oposição em Israel reúnem-se na terça-feira para discutir a construção de um governo alternativo ao bloco do atual primeiro-ministro, depois de terem alcançado consenso sobre o nome de Gadi Eisenkot para liderar o próximo executivo.

A marcação da reunião, num hotel em Herzliya, próximo de Telavive, foi revelada hoje pelo Yashar!, partido de Eisenkot, que ficou em segundo lugar na votação, com 21 deputados, e pelo líder do Yisrael Beitenu (Israel é a Nossa Casa), Avigdor Lieberman, que elegeu sete candidatos.

Antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros e colocado à direita na oposição, Lieberman encerrou hoje a especulação sobre o consenso em torno do ex-general Gadi Eisenkot para liderar o próximo governo em Israel, mas o debate sobre o apoio político necessário continua em aberto.

Em causa está a recusa de Lieberman do apoio dos partidos árabes para procurar uma saída para o labirinto político criado após as eleições, em que nem o bloco pró-governo nem o anti-Netanyahu conseguiram maioria de 61 lugares para controlar o parlamento israelita (Knesset).

As duas formações árabes, Lista Conjunta e Ra'am, têm um papel potencialmente decisivo e reuniram-se hoje em Nazaré, no norte do país, para coordenar as suas posições, antes das consultas do Presidente israelita, Isaac Herzog, para indicar um candidato para formar o próximo governo.

O foco nos próximos dias vai estar no Presidente israelita e no convite que vai endereçar a um candidato, estando em aberto se o fará a Netanyahu, na qualidade de líder do partido mais votado mas com hipóteses remotas de receber aprovação no Knesset, ou a Eisenkot, à frente de uma coligação de oposição mas sem base ainda conhecida de viabilidade parlamentar.

Isaac Herzog começará na quarta-feira as consultas com os partidos que obtiveram menos lugares e, no dia seguinte, vai reunir-se com as restantes forças.

Assim que designar um candidato, este terá 28 dias para negociar com potenciais parceiros de coligação, após os quais poderá solicitar uma prorrogação de outros 14.

Caso o candidato não consiga formar uma coligação, a decisão regressa ao Presidente, que poderá escolher outro nome para tentar novamente a formação de um executivo durante 28 dias, sem possibilidade de prorrogação.

Leia Também: Oposição israelita reúne-se para discutir formação de governo alternativo

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