Opositor político Tundu Lissu ameaça iniciar greve de fome na Tanzânia
O opositor político da Tanzânia Tundu Lissu, detido desde 2025 e acusado de traição, ameaçou iniciar uma greve de fome contra a proibição de permitir conversas privadas com os seus advogados.
Figura emblemática da oposição ao partido que está no poder desde a independência da Tanzânia, em 1961, Lissu, de 58 anos, foi detido em abril de 2025 depois de ter exigido uma reforma no sistema eleitoral.
Lissu corre o risco de ser condenado à pena de morte. O veredicto é esperado em 06 de novembro.
O Partido Pela Democracia e o Progresso da Tanzânia (Chadema), o movimento de Lissu, disse no sábado que o Supremo Tribunal da Tanzânia decidiu, na semana passada, que os direitos constitucionais do opositor foram violados, uma vez que as conversas com os seus advogados não estavam a decorrer a título privado.
No entanto, segundo o partido, a decisão judicial não foi respeitada.
"A partir de segunda-feira, 26 de outubro de 2026, Lissu vai iniciar uma greve de fome", declarou o assessor jurídico do partido, Rugemeleza Nshala, durante uma conferência de imprensa.
"Como a administração prisional viola abertamente as ordens judiciais, o nosso presidente Lissu teme, legitimamente, pela sua vida e segurança pessoal", afirmou, por sua vez, o secretário-geral do Chadema, John Mnyika
"Questiona-se se é possível confiar na comida fornecida por funcionários que violam a lei de forma deliberada", acrescentou.
Após vários anos de exílio e de ter sobrevivido a uma tentativa de assassínio em 2017, Lissu regressou à Tanzânia em 2023, na sequência da revogação, pela Presidente Samia Suluhu Hassan, da proibição de comícios da oposição, medida que tinha sido decretada pelo antecessor, John Magufuli (2015-2021).
Lissu foi um dos três finalistas do prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu (PE) na quinta-feira ao Tribunal Penal Internacional.
A presidente do PE, Roberta Metsola, destacou a luta por "eleições livres e justas na Tanzânia" do advogado, que foi proposto pelo Partido Popular Europeu e pelos Conservadores e Reformistas Europeus.
A Tanzânia foi a eleições em outubro de 2025, marcadas por uma contestação reprimida com violência letal. A oposição e os defensores dos direitos humanos afirmam que cerca de duas mil pessoas foram mortas pelas forças de segurança.
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