OSCE excluída das eleições intercalares nos EUA
Milhares de observadores vão acompanhar as eleições intercalares de terça-feira nos Estados Unidos (EUA), num dispositivo de fiscalização sem precedentes que não contará, pela primeira vez desde 2002, com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
O Departamento de Justiça norte-americano anunciou o destacamento de mais de mil observadores nos 50 estados, naquela que descreveu como a maior operação de fiscalização eleitoral da sua história.
O objetivo, segundo o Governo do Presidente Donald Trump, é "vigiar o cumprimento das leis federais e proteger o direito de voto".
O anúncio provocou preocupações entre congressistas democratas, organizações de defesa dos direitos civis e alguns responsáveis eleitorais republicanos, que receiam que a presença de observadores federais possa intimidar os eleitores ou alimentar dúvidas sobre os resultados.
A operação decorre num contexto em que Trump tem repetidamente levantado suspeitas de fraude eleitoral e de participação ilegal de imigrantes sem documentos, sem apresentar provas que sustentem essas alegações.
Perante as preocupações manifestadas, o Departamento de Justiça esclareceu que não mobilizará agentes do FBI (polícia federal) nem de organismos de imigração, nomeadamente o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), para esta operação.
As autoridades federais garantiram igualmente que os observadores não estarão armados e terão como única função documentar eventuais infrações, sem interferir na votação.
A atuação dos observadores está sujeita à legislação eleitoral de cada estado, que determina os locais onde podem estar presentes e os procedimentos que estão autorizados a acompanhar.
Responsáveis democratas de estados como Maine, Illinois e Minnesota anunciaram medidas de vigilância destinadas a prevenir eventuais situações de intimidação dos eleitores.
Organizações independentes de defesa da democracia e dos direitos civis, incluindo a Common Cause e a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), também acompanharão o processo eleitoral.
Uma das novidades destas eleições é a criação de um dispositivo próprio de fiscalização pelos democratas do Senado (câmara alta do Congresso).
Mais de uma centena de funcionários dos gabinetes democratas da câmara alta foram recrutados e preparados para acompanhar a votação em nove estados: Geórgia, Carolina do Norte, Maine, Ohio, Michigan, Texas, Iowa, Nebraska e Alasca.
Apesar da mobilização de observadores nacionais, os Estados Unidos decidiram não convidar a OSCE para acompanhar as eleições de terça-feira, uma decisão lamentada pela organização internacional.
Num comunicado conjunto, o Gabinete para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos (ODIHR) e a Assembleia Parlamentar da OSCE consideraram a decisão contrária aos compromissos assumidos pelos Estados participantes no Documento de Copenhaga de 1990.
Este documento reconhece que a presença de observadores internacionais pode contribuir para melhorar os processos eleitorais e estabelece o compromisso de convidar representantes de outros Estados participantes e de organizações apropriadas.
"Durante mais de duas décadas, o ODIHR construiu uma relação construtiva com as autoridades e os intervenientes eleitorais nos Estados Unidos, e lamentamos não poder continuar este trabalho durante as próximas eleições intercalares", afirmou a diretora do organismo, Maria Telalian.
Desde 2002, a OSCE acompanhou 12 eleições federais norte-americanas, incluindo seis eleições intercalares, desenvolvendo relações de cooperação com autoridades federais, estaduais e locais, partidos políticos e organizações da sociedade civil.
Estas serão as primeiras eleições federais norte-americanas desde o início dessa cooperação em que a OSCE não recebeu um convite para enviar observadores.
As eleições de terça-feira determinarão a composição do Congresso norte-americano durante os últimos dois anos do atual mandato presidencial de Donald Trump, com os republicanos a procurarem manter o controlo das duas câmaras e os democratas a tentarem recuperar a maioria parlamentar.
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Lusa | 16:50 - 02/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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