Parlamento Europeu denuncia desigualdades eleitorais na Sérvia
O chefe da missão de observação eleitoral do Parlamento Europeu à Sérvia denunciou hoje desigualdades e pressões sobre eleitores na votação de domingo, alegadamente favoráveis ao partido no poder, pedindo reformas necessárias à adesão à União Europeia (UE).
"Ao longo do dia eleitoral, as nossas equipas de observação identificaram várias irregularidades, embora estas não tenham ocorrido em grande escala. Diziam respeito, em particular, a casos de eleitores que fotografaram os seus boletins de voto, restrições ao acesso dos observadores às mesas de voto, falhas na garantia do segredo de voto e acessibilidade inadequada para pessoas com deficiência em muitas mesas de voto", refere Andreas Schieder em comunicado hoje divulgado.
"Embora estas irregularidades não tenham sido generalizadas, evidenciam a necessidade de continuar a melhorar a aplicação dos procedimentos e das garantias eleitorais", salienta o responsável, que chefiou a missão da assembleia europeia às eleições legislativas de domingo.
A votação decorreu também num contexto de dificuldades para os eleitores sérvios residentes no estrangeiro, devido ao número limitado e à distribuição geográfica das mesas de voto, bem como à aplicação dos horários sérvios em diferentes fusos horários, é referido.
A Lista dos Estudantes, apoiada pelo movimento de protesto estudantil, venceu as eleições legislativas antecipadas de domingo, na Sérvia, com 52,65% dos votos, segundo os dados divulgados pela comissão eleitoral.
A lista associada ao campo político do até agora Presidente sérvio, Aleksandar Vučić, obteve 39,22%, numa eleição que poderá pôr fim a mais de uma década de domínio político do seu Partido Progressista Sérvio.
Na declaração hoje divulgada, o eurodeputado austríaco do grupo dos Socialistas e Democratas que chefiou a missão destaca a "participação extraordinária e verdadeiramente notável dos cidadãos sérvios nestas eleições".
"Com uma taxa de participação historicamente elevada, superior a 70%, o povo sérvio enviou uma mensagem poderosa e inequívoca sobre a importância que atribui ao seu futuro democrático", aponta Andreas Schieder.
Ainda assim, o parlamentar socialista descreve uma campanha marcada por "vários acontecimentos preocupantes, incluindo alegadas irregularidades eleitorais, utilização indevida de recursos administrativos e diferenças significativas nos recursos disponíveis para as campanhas, aparentemente favoráveis ao partido no poder".
"Foram também relatadas tentativas repetidas de desacreditar os observadores eleitorais, tanto internacionais como nacionais, bem como casos de intimidação, ameaças e pressões dirigidas a cidadãos, representantes da sociedade civil e observadores independentes", condenou o responsável.
A Sérvia é candidata à adesão à União Europeia desde 2012 e iniciou formalmente as negociações de adesão em 2014.
"Esperamos que o novo parlamento e o novo governo deem um novo impulso ao processo de adesão da Sérvia à UE e demonstrem um compromisso mais forte com a realização das reformas necessárias para aproximar o país da adesão à União Europeia", afirma ainda o eurodeputado.
As relações próximas de Belgrado com Moscovo constituem um dos pontos de divergência com Bruxelas.
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